No fim-de-semana, Tommy Hugues estabeleceu o recorde do mundo do seu escalão M60 na Meia-maratona, muito devido aos seus curiosos treinos.

Na Meia-maratona de Antrim Coast, Tommy Hugues correu em 1h11m26, ou seja, a um ritmo de 3m23 por km (leia aqui). Nos 8 km, por exemplo, corre a 3m15/km. Portanto, um exemplo para muitos corredores da sua idade, mas principalmente para os mais jovens.

E como são os treinos de Tommy Hugues?

Antes de tudo, refira-se que, quando tinha cerca de 20 anos, o irlandês treinava cerca de 200 km por semana. «Eram km a mais, já que sempre tinha pequenas lesões», afirmou. Por isso, reduziu a sua semana de treinos para 160 km.

No entanto, 40 anos depois, voltou a correr cerca de 180 quilómetros por semana. «Estou a correr mais quilómetros agora do que quando era mais jovem», refere Tommy Hugues.

O irlandês revelou que, durante a semana, corre duas vezes por semana cerca de 15 km em cada treino, a um ritmo de 70-75% da sua FC máxima. «Não consigo correr mais lento que isso…».

Quando vai correr uma Maratona, Tommy Hughes habitualmente tem uma preparação de 12 semanas de treinos, nos quais faz dois, três treinos de 39 km, mas também vários treinos entre 33 e 36 km. O ritmo não é intenso, mas, nos últimos 4, 7 km, é maior, muito próximo do ritmo que pretende ter na prova. Os treinos longos jamais demoram mais de 3h00.

Embora faça poucos treinos de velocidade por temer eventuais lesões, procura correr provas de 5 e 10 km nos fins-de-semana, impondo um ritmo bem intenso, já que, confessa, «sou bastante competitivo».

Uma das suas curiosidades é correr 15 km no dia das suas provas de 5, 10 km.

«Corro 15 km cedo na mesma manhã das minhas provas. Quero fazer a corrida com as minhas pernas fatigadas. Essa é a melhor maneira de acostumar o nosso corpo aos últimos quilómetros da Maratona.»

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Outra caraterísticas é a sua passada curta, uma média de 180/200 passos por minuto nas corridas longas. Segundo o irlandês, o intuito é aumentar a velocidade e, ao mesmo tempo, diminuir o risco de lesões.

Na Maratona, a sua estratégia é fazer um Split negativo, ou seja, a segunda parte da Maratona mais rápida do que a primeira, o que obriga a um bom trabalho de força para que a musculatura não esteja muito fatigada no dia da corrida.

Em termos de nutrição, destaca o sumo de beterraba, que toma todos os dias («Um grande recuperador físico. Desde que comecei a tomar, noto que me custa menos voltar a treinar»).

Na semana que antecede uma Maratona, faz um longão e, nos três dias seguintes, faz uma dieta baixa em carboidratos e alta em proteína. No quarto, impulsiona o carboidratos («O objetivo é aumentar o glicogénio»).