Patrick Lange Ironman

Bicampeão mundial IRONMAN em 2017 e 2018, Patrick Lange faz entre 300 e 350 km de bicicleta e entre 80 e 100 km a correr em tempos de COVID-19. O alemão revelou que vai entregar a sua subvenção anual que irá receber da Associação de Triatletas Profissionais (PTO) à luta contra a pandemia.

Entrevistado pelo diário alemão Frankfurter Rundschau, o bicampeão mundial de triatlo, que desde 2018 reside na Áustria, considera que «o governo austríaco tem vindo a gerir bem a situação [da pandemia de COVID-19], de forma a proteger a população». Sendo que, «neste momento, a questão do desporto é algo secundário, as prioridades têm de ser outras».

Ainda assim, Patrick Lange não deixa de manter a sua rotina em termos de treinos, ainda que «não tenho conseguido nadar porque não tenho piscina. No entanto, procuro suprimir essa falta com treino de força e estabilização».

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De resto, e a exemplo de Portugal, também na Áustria o Governo optou por permitir a realização de exercício físico no exterior, desde que mantidas as distâncias de segurança entre indivíduos. O que tem permitido ao alemão «sair de bicicleta e correr normalmente».

«Faço entre 300 e 350 quilómetros de bicicleta e entre 80 e 100 a correr por semana

Lange admite adiamento do Kona 2020 «para o Natal»

Tal como qualquer outro triatleta de primeiro plano, também Patrick Lange tem vindo a preparar-se para o momento em que se dará o regresso à competição, apesar da COVID-19. E que, em princípio, será no Campeonato do Mundo em Kona, que, pelo menos para já, mantém-se agendado para 10 de outubro de 2020.

Depois do abandono em 2019, o bicampeão do mundo procura, este ano, voltar a conquistar o troféu. Desejo que, ainda assim, não o impede de aceitar a possibilidade do Mundial ser adiado, devido à pandemia, sendo que «o Natal também poderia ser uma boa alternativa».

Patrick Lange

«Desportivamente seria triste e, economicamente, o cancelamento também não seria bom para mim. No entanto, também é verdade que estou bem mais preocupado com as pequenas empresas. Há pessoas que acabarão afetadas de forma bem mais grave do que eu“, comenta Patrick Lange.

«Atletas menos favorecidos deveriam receber mais»

Quanto aos restantes triatletas, e embora a Associação de Triatletas Profissionais tenha manifestado já a intenção de aumentar a subvenção anual de forma a favorecer os atletas com menor ranking, Lange é o primeiro a defender que «é nestes momentos que é mais importante proporcionar apoio financeiro aos mais necessitados».

«Até porque, de uma forma geral e no nosso desporto, é habitual os triatletas de primeiro nível terem menos problemas financeiros que os recém-chegados.»

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Motivo pelo qual, defende o alemão, «estes atletas, menos favorecidos financeiramente, deveriam ter recebido a subvenção maior».

Assim, «e devido à minha temporada de 2019 verdadeiramente desastrosa eu não estar, hoje em dia, entre os 50 melhores do ranking mundial», Patrick Lange deixa a garantia de que, «quando receber a minha subvenção anual da PTO, doarei a totalidade do valor a uma associação sem fins lucrativos que se dedique à investigação e à luta contra o coronavírus».

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