A história de Nancy Kiprop, quarta colocada na recente Maratona de Nova Iorque, deve ser partilhada por todos, já que a sua posição nos Estados Unidos permitirá que mais 50 crianças tenham a possibilidade de frequentar a escola no seu país.

Os focos da Maratona de Nova Iorque foram justamente dirigidos para Geoffrey Kamworor e Joyciline Jepkosgei, vencedores, respetivamente, da prova masculina e feminina. Mas também para o impressionante feito de Ginette Bedard, que terminou a corrida com 86 anos.

No entanto, também devem ser dirigidos a Nancy Kiprop, de 40 anos, uma das melhores atletas da atualidade, como comprovou mais uma vez em Nova Iorque, terminando a prova na quarta posição, com o tempo de 2h26m21 (Jepkosgei finalizou a prova com 2h22m38).

Com esta qualificação, a queniana levou para casa 22,5 mil euros pelo quarto lugar, mais 2,7 mil euros por ser a melhor atletas master da prova (de referir que Jepkosgei, no total, ganhou um cheque de 130 mil euros).

Dinheiro que será utilizado para ampliar a sua escola localizada em Chesitek, aldeia próxima do celeiro mundial do Atletismo, Iten, no Quénia. Uma ampliação que vai permitir a inclusão de mais 50 crianças no estabelecimento, mas também mais uniformes escolares à uma escola de crianças descapacitadas, a Chebororwa High School, em Marakwet.

Nancy Kiprop não pensa nas crianças quando corre mas sente o peso delas

Mãe de 7 filhos (cinco deles adotados após um acidente de carro, cujo pais morreram), podemos falar que Nancy Kiprop corre para manter a sua escola em pé, um projeto que iniciou há cinco anos, mas que apenas conseguiu erguer em 2018, a denominada Academia Nancie Cletius.

Por isso, os bons resultados são fulcrais para Nancy Kiprop, como este alcançado em Nova Iorque, mas também na sua prova favorita, a Maratona de Viena, vencedora nas últimas três edições e este ano com recorde, com 2h22m12.

A Academia Nancie Cletius, que começou com 6 alunos e um professor, tem hoje seis professores e 145 estudantes (entre 3 e 7 anos, mas o objetivo é aumentar para os 15 anos), muitos deles transportados pelo companheiro de Nancy, Joseph, que conduz um autocarro escolar.

Nancy Kiprop é um exemplo a seguir por todos
Nancy Kiprop é um exemplo a seguir por todos

«Estaria a mentir se afirmasse que, quando corro, estou a pensar nessas crianças. Apenas estou focada na corrida», afirmou Nancy Kiprop, que, no entanto, tem consciência do que significa as suas corridas, o peso que carrega consigo em cada prova.

Na sua primeira Major, evento que reúne as seis principais maratonas do mundo (além de Nova Iorque, Londres, Tóquio, Berlim, Chicago e Boston), Nancy Kiprop confessou que ficou feliz com a sua prova.

«Estou contente com o quarto lugar (…) É um bom dinheiro e permitirá aumentar a minha escola e contratar mais professores e funcionários. Embora não tenha subido no pódio, sei que, um dia, vou subir.»

FOTO: Twitter