Kilian Jornet Montanha

Considerado um dos maiores corredores de montanha da atualidade, Kilian Jornet abordou, este domingo, a situação difícil por que passa a sua Espanha natal devido ao coronavírus. Embora a viver hoje em dia na Noruega, defende, ao diário espanhol El País, que a pandemia poder ser também «um excelente teste à forma como funcionamos enquanto sociedade».

Atleta de excepção, Kilian Jornet, de 32 anos,  tem vindo a assistir à propagação da pandemia do coronavírus a partir de uma pequena localidade na costa oeste da Noruega, onde vive com a sua família. Ainda que assistindo a tudo não como um problema apenas da sua Espanha, país onde nasceu, mas como uma questão «global», exigindo portanto «uma atuação rápida e com medidas que, embora possam parecer drásticas, são importantes».

Aliás, «se continuas a conviver com outras pessoas, o vírus continuará propagando-se», refere Jornet, defendendo que «o importante é não sermos individualistas, mas, sim, pensar no coletivo».

A realidade norueguesa

De resto, na Noruega, «fecharam fronteiras, escolas e universidades, embora, de momento, ainda não exista imposta qualquer quarentena, sendo possível sair à rua».

No caso específico do espanhol, «como entrámos na Noruega vindos de Itália, estivemos recolhidos em casa durante cerca de 10 dias e, a partir daí, passei a treinar normalmente. Aliás, na região onde vivo, durante todo o Inverno, não me cruzo com mais do que duas a três pessoas, pelo que posso treinar sem ver praticamente ninguém».

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De resto, sobre as especificidades que envolvem a corrida em montanha, onde, a par da solidão, também há muita solidariedade, Kilian Jornet recorda que «é nos momentos mais difíceis que se vê o melhor e o pior de cada um. Este é também um grande teste para ver como funcionamos enquanto sociedade. Trata-se de um problema global, que afeta o Primeiro Mundo, sendo que, quando surgiu no Terceiro Mundo, não lhe demos a devida importância. Como tal, isto vai certamente fazer-nos repensar muitas coisas na forma como funcionamos em cidade».

Para o espanhol, esta pandemia vai tanto «fazer-nos dar conta do quanto é importante o contato humano (…) fazer-nos pensar que modelo de sociedade queremos», sendo que «podemos funcionar de uma forma mais coletiva».

Kilian Jornet é, hoje em dia, uma lenda no Trail e, ainda mais, na corrida em montanha
Kilian Jornet é, hoje em dia, uma lenda no Trail e, ainda mais, na corrida em montanha

«Importante é não voltarmos aos ritmos anteriores»

Quanto à possibilidade desta pandemia ser uma resposta da Natureza às agressões do Homem, Kilian não acredita, defendendo que este vírus «tanto pode ser químico como algo que estava enterrado nos glaciares e com o degelo acabou sendo libertado; ou tanto pode vir dos animais como sempre ter estado aqui. O importante é aproveitar o momento para, quando voltarmos a colocar o sistema mundial em marcha, termos presente que, por exemplo, durante este período, a queda nos níveis de poluição na China têm sido impressionantes».

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«Se calhar, o importante é, quando tudo passar, não voltarmos aos ritmos anteriores, mas adoptar um ritmo menor. De resto, hoje em dia há uma maior consciencialização ecológica nas gerações mais jovens, os interesses económicos são outros e até, nas grandes empresas, a maneira de pensar começa a mudar».