Mulher a correr rápido

Numa época em que todos as nossas ações são, de certa forma, condicionadas pela presença do coronavírus, a questão impõe-se: como posso continuar a correr face às limitações e perigos de contágio impostos por este novo vírus?

Numa altura em que a pandemia de coronavírus continuar a alastrar pela Europa, fazendo deste continente a região no planeta onde o vírus abrange hoje em dia mais pessoas, são muitos os atletas, amadores ou não, a questionar-se sobre, até que ponto, é seguro manter a sua atividade física no exterior.

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Conscientes desta realidade, os nossos colegas da Runner’s World decidiram falar com dois especialistas norte-americanos: David Nieman, doutorado em Saúde Pública e director do Human Performance Lab no Instituto de Pesquisa da Carolina do Norte, e Brian Labus, Mestre em Saúde Pública e professor-assistente na Faculdade de Medicina da Universidade do Nevada. Ambos foram questionados sobre algumas das questões que mais preocupam os corredores de todos os dias... e cujas respostas, nós, respeitosamente e com o único propósito de esclarecimento, aqui reproduzimos.

  • É seguro correr, hoje em dia, no exterior?
    É, sim. Na verdade, e apesar da realidade em que vivemos atualmente, é mais seguro correr no exterior que entre paredes. Isto porque, quando as pessoas se juntam num espaço fechado e alguém espirra ou tosse, partículas agarram-se às superfícies em que as pessoas tocam em seguida para depois levarem as mãos à cara. Como tal, e perante a forma como o vírus está atualmente disseminado, o melhor mesmo é correr no exterior, sozinho, e desfrutar da Natureza.
    Inclusive quando o tempo está frio, uma vez que não existem estudos que comprovem que se possa contrair qualquer patógeno respiratório ao correr com frio. Como tal, realizar um treino de 30 a 60 minutos pode mesmo ajudar a manter os vírus ao largo. Necessário é apenas saber antecipadamente as condições da área onde vamos correr e se não está sob o efeito de quaisquer restrições ou quarentena. Todavia, e no caso de já estar doente ou existir o risco de transmitir o vírus, deve abster-se de sair à rua. Caso já esteja sujeito a uma quarentena, mas não esteja doente, pode realizar alguns exercícios dentro de casa.
  • Devo evitar correr em grupo?
    A melhor opção é tentar reduzir ao mínimo o risco de exposição a pessoas que já se encontrem doentes ou contaminadas. Tal como quem já estiver com febre ou tosse, não deverá ter grande vontade de ir correr. Ainda assim, se estiver a correr em grupo ou numa zona com muitas pessoas, a melhor forma de proteger-se um pouco é afastar-se e evitar qualquer contato físico. Assim que terminar o treino e chegar a casa, deve lavar bem as mãos, no mínimo, durante 20 segundos.
Correr integrado em grandes multidões é algo que, hoje em dia, se deve evitar
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  • Nos meus treinos, devo evitar tocar, por exemplo, nos botões dos sinais luminosos de trânsito?
    Os últimos dados sobre o coronavírus concluem que o vírus não resiste durante muito tempo quando alojado nos objetos exteriores devido à exposição do sol e da luz. No entanto, o risco aumenta a partir do momento em que alguém tosse para a mão, pouco antes de tocar num botão, que logo a seguir é tocado pelo corredor. Assim, se durante o treino tocar num botão de um sinal luminoso de trânsito, lembre-se de não levar a mão à cara antes de a lavar. Ou então, e ainda melhor, utilize luvas (continua a ser importante que não toque no rosto). Ou então a manga ou ainda o cotovelo. 
  • O coronavírus pode transmitir-se através do suor?
    Segundo o Centro de Controlo e Prevenção dos EUA, a transmissão do coronavírus apenas tem lugar entre pessoas que mantêm um contacto próximo ou através de gotículas na respiração, expelidas através da tosse ou dos espirros, não através do suor.
  • Poderei eu contagiar outra pessoa, mesmo sem ter quaisquer sintomas?
    Estes é um dos aspectos sobre o qual ainda não temos um conhecimento total no que ao coronavírus diz respeito. O mais provável é que nós possamos contagiar, ainda antes de começarmos a sentir os sintomas. No entanto, também parece ser lógico que nos tornemos mais contagiosos a partir do momento em que começamos a tossir. Contudo, e tal como foi referido, a realidade é que ainda não conhecemos na plenitude todos os aspectos da transmissão, pelo que, para já, a atitude correta é o afastamento social porque os especialistas ainda estão a tentar apurar qual o tempo de vida do vírus, quando em objectos, sendo que a certeza que parece existir é que este é extremamente contagioso, espalha-se facilmente através da tosse e dos espirros, além de poder ser disseminado por pessoas que desconhecem estar doentes. É, de resto, por esta razão que o lavar das mãos e não tocar no rosto são conselhos tão importantes…

[CONTINUA]

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