Uma das dicas que todos conhecem sobre correr na passadeira é colocar o aparelho a 1% de inclinação, pois, teoricamente, simula a resistência do ar quando estamos a correr no exterior. Pois bem, um estudo revela que essa percentagem não adianta nada para a maioria dos corredores…

A lenda é conhecida por todos os corredores: correr na passadeira a 1% melhora a nossa perfomance. No entanto, e de acordo com um estudo na Sports Medicine de maio de 2019 assinado por Jayme R. Miller e Bas van Hooren, entre outros, apenas teremos proveito dessa vantagem de 1% no consumo de oxigénio se corrermos a… 16 km/h, ou seja, algo bastante complicado para milhares (senão mesmo milhões…) de corredores amadores (significaria correr a 3m45/km).

Van Hooren revela inclusive na sua página pessoal de que, «para os corredores normais, não há necessidade de correr na passadeira com uma inclinação de 1%».

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Um dos fatores importantes deste estudo é a comparação entre correr na passadeira e ao ar livre. Uma das conclusões é que, no exterior, a capacidade de arrefecimento do corpo é muito maior, fruto do seu próprio movimento. Ao contrário, na passadeira e entre quatro paredes, o corpo necessita de um esforço extra para se arrefecer. A fadiga também é maior na passadeira

Não há grandes diferenças entre correr ao ar livre e na passadeira (mesmo a 1%)

Outro dos mitos que Van Hooren e seu colega de trabalho colocaram em causa, agora este ano, foi de que correr numa passadeira requer menor esforço do que correr na rua. Segundo os dois especialistas, a diferença não é assim tão grande. O estudo revela que é necessária a utilização da mesma força para não ser arrastado pela cinta da passadeira, força idêntica que necessitamos para correr em condições naturais. «Inclusive tecnicamente», asseguram.

Sobre se é melhor ou pior correr na passadeira, Van Hooren defende que a máquina facilita, por exemplo, a reabilitação, já que é mais suave correr sobre ela do que na rua. No entanto, já que o nosso corpo acaba por se acostumar a circunstâncias constantes e repetitivas, há um perigo maior de lesões.

«Correr na passadeira pode ser benéfico para a recuperação de uma fratura de stress, por exemplo, mas não para uma lesão do tendão de Aquiles.»

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