Ao longo dos últimos dias pedimos a alguns dos atletas nacionais (e ao brasileiro Paulo Paula) para darem a sua opinião sobre a polémica do correr, ou não, ao ar livre. Evidentemente, também por razões éticas, não podíamos deixar de dar também a nossa.

Em primeiro lugar, e acima de tudo, gostaríamos de agradecer a coragem dos atletas que decidiram dar a cara, sem medo de, posteriormente, serem recriminados e atacados nas redes sociais – hoje em dia, o palco muitas vezes escolhido por algumas pessoas para expressarem o que há, em si, de mais lamentável, aquelas que são as suas facetas mais mesquinhas, quando não mesmo o seu verdadeiro Eu.

Assim, e apesar de alguns atletas terem preferido refugiar-se e não opinar – uma posição que, naturalmente, entendemos, compreendemos e, obviamente, respeitamos -, não podemos deixar de louvar as posições assumidas por Armando Teixeira, Salomé Rocha, Hermano Ferreira, Mary Vieira, Paulo Paula, André Rodrigues, Sérgio Marques e Ercília Machado.

Quanto à nossa posição, sobre se podemos ou não treinar na rua, recordamos, basicamente, o que estipula e permite o Estado de Emergência:

«Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva;»

Dito de outra forma: neste momento e em Portugal, nada na legislação em vigor proíbe a realização de atividades físicas no exterior, como a corrida. Assim sendo, não nos arvoramos no direito de condenar quem o faça, desde que o atleta respeite todas as diretrizes do Estado de Emergência e da Direção-Geral da Saúde.

Quanto às diretrizes, resumidamente são duas: manter o distanciamento social e, idealmente, correr sozinho. Princípios a que, diga-se, nós acrescentaríamos mais um: correr em locais isolados ou com o mínimo de pessoas possível.

Certo é que não podemos encarar as determinações impostas pelo Estado de Emergência de acordo com às nossas convicções, ou seja, “esta lei interessa-me, já com esta outra não concordo, pelo que não a respeito”.

Se o Estado de Emergência estipulasse, literalmente, que era proibido fazer exercício físico, aí sim concordaríamos com qualquer condenação. Aliás, concordaríamos mesmo com a penalização de situações como as que acontecem em Espanha, onde vemos situações realmente deploráveis e inexplicáveis por parte de alguns corredores.

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No entanto, a realidade é que hoje, dia 1 de abril e em Portugal, não existe em vigor qualquer lei que impeça alguém de correr na rua, apenas em grupo, ou seja, mais de duas pessoas.

É verdade que os tempos são incertos e há uma nuvem negra a pairar sobre o nosso bem-estar social. Mas não é a condenarmo-nos uns aos outros, e a insultarmo-nos mutuamente, que vamos sair do período difícil pelo qual estamos a passar.

Se o meu vizinho corre e eu não corro por receio do coronavírus, trata-se, em ambos os casos, de uma decisão pessoal. E ambos devem respeitar a decisão do outro!

Caso eu não esteja de acordo, o máximo que posso fazer é, educadamente e de forma cívica, explicar a minha posição sem recorrer ao insulto, como vemos muitas vezes nas redes sociais. Ainda para mais quando esse mesmo vizinho, tal como nós próprios, tem o seu direito de escolha defendido pelo Estado de Emergência em que estamos a viver, ou seja, não está a inflingir a nenhuma lei.

Em resumo: enquanto a lei não nos proibir de correr na rua, devemos permitir que cada um decida relativamente a si próprio e consoante aquilo que lhe diz a sua sã consciência. O que nunca pode faltar é o cumprimento das normas ditadas pela Direção-Geral da Saúde (principalmente o isolamento social), o respeito e o civismo, tanto dos que correm como dos que ficam em casa.

As leis estipuladas pelo Estado de Emergência (leia aqui o Decreto do Governo que regulamenta o Estado de Emergência), e que são as diretrizes que todos devem seguir, devem ser respeitadas na sua totalidade e não apenas em partes, em blocos ou de acordo com o que consideramos ser a atitude correta segundo os NOSSOS valores. Nossos, não os valores do Outro!!!

Paz, bom senso e tolerância é o que pedimos nesta fase menos positiva da Humanidade. Com respeito por nós e pelo outro conseguiremos ultrapassar este momento. Já o contrário…

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