No ano passado, Sérgio Marques, de 39 anos, não pensava estar novamente em Kona, no Havaí, para disputar o Mundial Ironman (3,8 km a nadar, 180 km a pedalar e 42,195 km a correr). «Mas, como fiquei com o “menino nas mãos” em Lanzarote, decidi regressar.» Resultado? Campeão do mundo na sua faixa etária (35-39 anos) mas, principalmente, o melhor amador da prova.
O Sérgio Marques regressou novamente ao Mundial de Ironman. Notou alguma diferença na prova em relação ao passado recente?
Esta foi a minha oitava participação no Mundial do Havaí. Após um interregno de 6 anos, voltei em 2018 e este ano. A prova continua a ser uma experiência única para os amantes da modalidade e do desporto em geral. E não sou eu que digo, já que nunca fui lá como espetador. É de facto uma semana incrível.
O que significa para um triatleta alcançar a presença em Kona? Porque, no Mundo do Triatlo, este é o momento mais esperado do ano?
Para muitos é o evento do ano, incluindo para mim. Naturalmente que os Jogos Olímpicos são o suprassumo da Alta Competição, mas na verdade estamos a falar de “animais” totalmente diferentes que, por assim dizer, só partilham o nome. Alcançar uma qualificação para o Havaí é para muitos um objetivo por si só. Muitos tentam repetidamente estar em Kona sem conseguir, mas nunca deixam de gostar da modalidade porque jamais é um fracasso não alcançar a qualificação.
Concretamente, como alcançou a qualificação para o Mundial?
Qualifiquei-me no Ironman Lanzarote, em maio. Fiz uma prova sólida mas claramente sem ter a noção do potencial que poderia alcançar este ano. Classifiquei-me em 2.º lugar na minha faixa etária e fui 12.º da classificação geral, com profissionais incluídos.
Sobre a sua prova em si no Mundial, o que pretendia em concreto em Kona, qual era o seu objetivo?
Sinceramente, o meu objetivo era melhorar a classificação do ano passado, terceiro no meu escalão etário e sexto da classificação geral dos escalões etários. Tive alguns percalços e, por assim dizer, fiquei com a prova atravessada na minha memória. Não esperava voltar a Kona em 2019, mas, como fiquei com o “menino nas mãos” em Lanzarote, decidi regressar. Naturalmente que o resultado ultrapassou todos os meus objetivos, mas não propriamente as minhas expetativas. Em um dia bom, sei que tenho condições de lutar não só pela classificação do meu escalão etário, mas também pela classificação geral dos escalões etários. Felizmente foi um dia fantástico
Foi o primeiro do seu escalão etário, 35-39 anos, e o primeiro atleta amador na classificação geral. Das duas classificações, qual a que sente mais orgulho?
Bom, essa é simples: claramente a segunda. Estar no topo da classificação dos escalões etários, valendo o que vale, é sempre um motivo de orgulho.
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E qual a evolução que vê desta classificação em comparação ao seu 8.º lugar no recente Campeonato da Europa, em setembro?
No Campeonato da Europa também fiz uma excelente prova e corri como Elite, em representação de Portugal. São formatos diferentes, apesar de as distâncias serem iguais. Foram realmente provas com condições climatéricas opostas e com dificuldades distintas. Fiquei algo desapontado com o nível de ciclismo que apresentei, apesar da corrida ter sido muito boa. A grande dúvida entre as duas provas era saber até que ponto conseguiria recuperar de uma para a outra. Curiosamente foi na segunda onde estive em melhor nível.
Na terça-feira, Sérgio Marques falará sobre a sua prova em Kona, de como o segmento da natação foi mais lento do que esperava, de como soube gerir do melhor modo o ciclismo e de como teve a “certeza” do triunfo ainda no km 28 na corrida.