Sérgio Marques, de 39 anos, correu a primeira parte do segmento da Corrida no Mundial Ironman a um ritmo de 3m55 por quilómetro. A boa perfomance também foi visível no ciclismo.

Poderia falar um pouco sobre os três segmentos em Kona? A estratégia, como foi a sua prestação em cada um, as dificuldades, etc.
O objetivo na natação era estar com o grupo que, porventura, poderia discutir a prova, algo que foi conseguido apesar de os tempos terem sido modestos. Foi uma natação fácil a nível de esforço, aparentemente ninguém quis meter um ritmo forte nesse grupo. Claro que houve grupos mais rápidos, mas acabei por sair da água juntamente com atletas teoricamente mais rápidos, mas também com atletas mais lentos, o que tornou as coisas um pouco caóticas, mesmo dentro de água.

O mesmo aconteceu no ciclismo, esse ritmo mais “modesto”?
No ciclismo imprimi um ritmo forte cedo e senti-me bem na generalidade do percurso. Porventura, só entre a 1h00 e 1h45 cedi um pouco, mas rapidamente voltei ao sítio certo. Foi um ciclismo muito dinâmico, ora andava sozinho, ora andava acompanhado. O ciclismo, no início, é sempre um pouco caótico, mas, a partir de Hawi (100 km), as forças começam a escassear para alguns e nesse aspeto geri muito bem a prova. Só tive a oportunidade de verificar distâncias em Hawi e no final, já com o meu treinador a ditar a sentença. Fiquei satisfeito com o ciclismo e ainda mais com a forma como coloquei os pés no chão, que normalmente dão muitas indicações para o resto da prova.

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Ou seja, bons indicadores para a corrida…
Sim. Na corrida, e depois de uma transição em que entrei com um défice de 1m40 e sai com apenas 40 segundos de desvantagem,rapidamente me coloquei no primeiro lugar. É um percurso muito ondulado, com muitas quebras de ritmo, mas onde consegui correr nos 3m55 por quilómetro durante a primeira parte. No “Alii Drive”, onde se localizava o primeiro retorno, consegui abrir uma vantagem de cerca de 2 minutos para o segundo classificado. Sem grandes “festejos” mantive o ritmo até quase o segundo retorno, já com cerca de 28 km, no “Energy Lab”. Vi que tinha uma vantagem de 8 minutos e só um desastre me poderia retirar essa superioridade até o fim. Mas o certo é que muita coisa pode acontecer nos últimos quilómetros, em especial em percurso Kona. A saída no “Energy Lab”, a subir e com uma brisa a favor que nada ajudava no arrefecimento do corpo, foi talvez a maior dificuldade que tive durante a corrida. A partir daí, e sem qualquer problema, “levantei um pouco o pé” para ter a certeza de que nada iria acontecer atá a meta. Foi uma ótima gestão, não só de esforço, mas também de nutrição e hidratação.

A corrida foi um dos segredos de Sérgio Marques no Ironman, que apresenta uma organização impressionante
A corrida foi um dos segredos de Sérgio Marques no Ironman, que apresenta uma organização impressionante

É notório verificar que a corrida foi um dos seus pontos-forte no Mundial de Ironman, em Kona, no Havaí. É o segmento que mais gosta, é o seu segmento mais forte no triatlo?
Em toda a minha carreira sempre me destaquei na corrida. Gosto de correr, sempre gostei. Acima de tudo, gosto de atividades ao ar livre, ciclismo incluído. Correr bem assenta também numa boa capacidade no ciclismo e, principalmente, na gestão de esforço durante a prova, algo que sempre consegui fazer de forma eficaz. Ou pelo menos na maioria das situações…

Na quarta-feira, Sérgio Marques, campeão do mundo no escalão 35-39 e melhor amador no recente Mundial Ironman, revela quando começou a praticar o triatlo. E foi grande a nossa surpresa quando soubemos…