Ao longo de 11 anos, João Lima recolheu as classificações das corridas em Portugal (não só durante essa década, mas também das anteriores). Ao analisar a corrida no nosso país, João Lima destaca a participação feminina nas provas.

Evidentemente que, ao recolher estes dados, terá uma visão muito singular da corrida no nosso país. Como analisa a sua evolução?
Há diversos dados a realçar. Começamos pela democratização da corrida aberta a todos e passamos pelo enorme incremento de provas: quando comecei a correr em 2006, ainda havia alguns poucos fins de semana sem provas, depois passaram todos a estar preenchidos e, de seguida, começaram a repartir-se por sábados e domingos. Uma das grandes causas para este boom de provas foi a explosão do Trail. Mas um dos dados que mais me apraz registar é a participação feminina. Inicialmente as corridas eram reservadas a homens, depois as mulheres começaram a participar, mas muito residualmente. Quando comecei a correr a participação feminina rondava os 3 a 6% e hoje situa-se nos 20 e tal por cento. Ainda longe do ideal, mas a seguir no bom caminho.

E como vê hoje a corrida em Portugal? O presente e o futuro?
Poderia dar uma resposta mais fundamentada no início do ano mas com este interregno vamos ver o que sucederá no futuro. Neste momento é complicado fazer futurologia.

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Esta infinidade de números trouxeram-lhe uma infinidade de amigos?
Trouxeram muitos conhecidos e alguns bons amigos especiais. E isso é uma dádiva sem igual!

Estes números das corridas conseguem explicar a paixão pela corrida do João Lima?
O termo correcto é esse mesmo, paixão pela corrida. Tudo o que faço por gosto é feito apaixonadamente. E este trabalho é mais uma prova disso.

Acredita que alguém prosseguirá o seu trabalho ou que alguma entidade finalmente assuma a importância destes levantamentos? Ou tudo ficará perdido em um IP da internet….?
Adoraria dizer que sim. mas realisticamente receio que não irá ter continuidade. Oxalá esteja enganado!