Edgar Matias

Segundo melhor português na última Maratona de Sevilha, Edgar Matias tem, enquanto atleta amador, uma relação especial com esta prova. Afinal, foi também em Sevilha que se estreou na Maratona, tendo sido também aí que descobriu a experiência única que é realizar os 42,195 km. «É único, é pura libertação, é sentir, é viver», refere em entrevista exclusiva aos CORREDORES ANÓNIMOS.

Já tinha corrido em Sevilha? Como foi a experiência?
Sim, já tinha corrido. A minha primeira Maratona foi em Sevilha, a 25 de fevereiro de 2018. A primeira Maratona é sempre especial, pois é o culminar de um processo longo e doloroso de treinos. É tudo novo, tudo é imprevisível, passam muitas dúvidas pela nossa cabeça, o «Será que consigo?» está sempre presente. Todo este processo e esta descoberta transmitem-nos uma sensação de superação única ao cortar a meta, um turbilhão de emoções invade-nos na hora e é impossível segurar as lágrimas. Rimos, choramos, pensamos nos que mais amamos, nos que já partiram… é único, é pura libertação, é sentir, é viver.
Em termos desportivos, a primeira Maratona também foi muito positiva, pois consegui cumprir com o objectivo que tinha inicialmente traçado, correr abaixo das 3 horas, com um tempo oficial de 02h51m52. Nesta prova representei o clube da minha terra, que amo de coração, a Juventude Desportiva Melidense.

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Alcançou em Sevilha o seu melhor tempo pessoal. Sevilha é mesmo a prova ideal para atingir esse objetivo?
Consegui melhorar o meu melhor tempo em 10 minutos desde a Maratona do Porto, em Novembro de 2019, o que não deixa de ser para mim uma evolução surpreendente. Sevilha tem a particularidade de ser a Maratona mais plana da Europa, o que obviamente ajuda muito na obtenção de bons resultados.

Para Edgar Matias, a experiência é um factor importante na obtenção de bons resultados na Maratona
Para Edgar Matias, a experiência é um factor importante
na obtenção de bons resultados na Maratona

O brasileiro Paulo Paula alcançou em Sevilha o índice olímpico para os Jogos Olímpicos e a sua melhor marca pessoal aos 40 anos, como o Edgar Matias. A experiência é algo realmente fundamental na Maratona?
Apesar de estar no Atletismo há relativamente pouco tempo, a experiência é sem dúvida fundamental numa Maratona. É necessário consolidar primeiro as distâncias mais curtas, como provas de 10 km e Meias-maratonas, adquirir novas metodologias de treino e rotinas. Há também todo um processo psicológico e de auto confiança que é necessário adquirir e bastante importante nesta distância. A Maratona é essencialmente uma prova de gestão de esforço e aqui obviamente a experiência é um fator importante.

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Quem corre em Sevilha não deixa de mencionar o público. Ficou surpreendido com o apoio?
Apesar da minha pouca experiência, pois foi a minha quarta Maratona, duas vezes no Porto e duas vezes em Sevilha, posso afirmar que o povo sevilhano vibra como ninguém à passagem dos atletas, sejam eles de elite ou amadores. O apoio, durante os 42,195 metros, é ininterrupto, o que nos motiva e galvaniza para a obtenção dos nossos objetivos.

Sevilha tem ainda a particularidade de ser uma prova com bastante portugueses. É gratificante correr no estrangeiro como se corresse em casa?
Sim, é bastante gratificante e motivador. Existe também muito público português com bandeiras nacionais a evidenciar o seu caloroso apoio.

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