José Manuel Mota participou recentemente na Trans360º, inserida na Transgrancanaria. No total, 265 km e um desnível positivo de 16500 metros. Ou seja, uma prova para os valentes. No primeiro dia d´”A Semana das 73h16m35”, tempo alcançado pelo português na prova espanhola, José Manuel Mota revela como ficou apaixonado pelo Trail após correr na estrada e de como passou dos 25 para os 100; dos 100 para os 160; e dos 160 para mais de 200 km…

 

Tenho 56 anos, sou militar na reforma e trabalho presentemente em montagem de máquinas papel.

A minha vida desportiva mais ativa teve início nos paraquedistas, estando durante vários anos no Centro de Treino Físico, o que me levou a ganhar alguma paixão pela Corrida e Orientação. Tive depois uma fase que só fazia natação e alguma corrida para manter a forma.

Há dez anos voltei por iniciativa de um amigo a participar em provas de estrada e comecei a entusiasmar-me com os resultados. Fui aumentando os treinos para melhorar o meu rendimento. Cansado da estrada, comecei no Trail, apaixonado de tal forma que nunca mais parei. Comecei pelos 25 km e passei diretamente para os 100 km.

A prova OH MEU DEUS marcou o meu início nas grandes distâncias e ensinou-me que temos de nos preparar fisicamente muito bem.

A partir de então iniciei uma preparação mais adequada e, nas provas seguintes, os resultados foram melhores.

Pensava que fazer mais de 100 km não era possível mas, com o passar do tempo, pensei em fazer as 100 milhas.
Inscrevi-me no Ultra Trail Mont Blanc com o intuito de ser sorteado um ou dois anos depois para assim preparar do melhor modo a prova. Fui sorteado para 2014. Procurei ajuda e contatei a Clínica Hernâni Broco, com quem falei pessoalmente. Ele preparou-me um plano de treino e nutrição, algo que nunca tinha feito antes…

Cumpri 90% do plano entre março a agosto e o resultado foi um 233.° lugar da geral entre 2400 atletas à partida. Fiquei entusiasmado e concluí que o plano de treino e o cumprimento do mesmo tinha valido o esforço. Portanto, só tenho a agradecer aos profissionais da Clínica Hernâni Broco e ao seu proprietário.

Passaram poucos dias e o meu pensamento foi planear novas aventuras. Surgiu a ideia de passar os 200 km…

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Em Chamonix, no Mont Blanc, esteve um stand de uma prova por etapas de 275 km em autossuficiência nos Estados Unidos, concretamente no Grand Canyon. Tinha o papel com o programa comigo e decidi fazer a prova. Planeei tudo e preparei-me do melhor modo que podia, já que sabia que seria dura. Para mim, carregar com 13 kg e fazer parte da corrida no deserto era realmente assustador… A verdade é que a corrida foi espetacular em tudo: a beleza das paisagens, o convívio com 120 atletas oriundos de 25 países e de várias culturas, etc. Foi algo inexplicável! Alcancei a oitava posição da geral, com o tempo de 43 horas.

Depois, em Setembro do ano passado, fiz a Tahoe 200 Endurance Run Ultra, 350km à volta do Lake Tahoe, a uma altitude de quase 2000 metros. Foi impressionante, com as suas paisagens a perder de vista… Alcancei o 19.° lugar, com 78horas.

E então surgiu este ano a Transgrancanaria, a terceira prova com mais de 200 km…