Ruben Costa correu a Corrida Fim da Europa como treino para a Maratona de Barcelona, em março. Um treino que correu bem, já que melhorou o seu registo na prova…

Todos os anos digo que não corro mais, que foi a última vez, etc., etc. Mas lá fui novamente correr a Corrida Fim da Europa. É impossível não gostar desta prova… Por ser diferente, por ser a mais bonita prova de estrada de toda a região de Lisboa e, arrisco a dizer, de Portugal. O enquadramento é, simplesmente, lindo.

A 30.ª edição deste ano fazia parte da minha preparação para a Maratona de Barcelona, a 15 de março. Já estando inscrito há muito tempo no Fim da Europa, ainda antes de pensar em ir a Barcelona fazer os 42,195 km, tive de adaptar o meu plano de treino para a Maratona. Por isso, visto que preciso fazer volume em termos de quilómetros, na véspera não abdiquei de fazer 22 km num ritmo algo rápido. E isso acabou por se fazer sentir logo nos primeiros quilómetros na prova…

Como é meu hábito, fui cedo rumo à Azóia para estacionar o carro na chegada e de seguida ir no autocarro para Sintra, onde é dada a partida. Chegado lá, tinha tempo suficiente para ainda fazer um aquecimento ligeiro. Às 10h00 em ponto lá foi dada a partida para mais uma Corrida Fim da Europa.

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Decidi partir de forma tranquila, sem puxar à maluca nos primeiros quilómetros. Esta não é a prova alvo, apenas mais uma prova/treino importante na preparação para Barcelona. O percurso, que não muda de ano para ano, estava todo marcado na minha cabeça: cada subida, cada curva, cada descida, etc. Para mim, esta prova é dívida em 4 partes. Vamos lá então:

  • 1.ª parte: Do início da prova até mais ou menos ao quilómetro 2,5/3
    Sempre a subir, não há descanso. Rapidamente o meu ritmo da corrida passou de rápido para lento, ou seja, de 4m48 para correr na casa dos 6m10. Resolvi por isso tentar manter o ritmo, embora lento, certo, já que, mais à frente, as descidas iriam ajudar a recuperar o tempo perdido, além de ajudar a diminuir o ritmo cardíaco. Foi nesta fase inicial, confesso, que senti o peso do treino de sábado nas pernas.
Cerca de 3/4 da Corrida Fim da Europa é bastante complicada devido as constantes subidas
Cerca de 3/4 da Corrida Fim da Europa é bastante complicada
devido as constantes subidas
  • 2.ª parte: do quilómetro 4 ao quilómetro 8
    O percurso nesta fase torna-se muito oscilante. Tanto sobe como desce e é nesta fase que realmente começo a sentir-me mais solto. Não há grande dificuldade, facilmente consigo subir as pequenas elevações do percurso e aproveitar as descidas para acelerar um pouco mais.
  • 3.ª parte: a tão temida subida
    Nesta fase o piso mistura alcatrão com zona de terra, principalmente nas bermas. Decidi correr mais nessa parte para não sentir tanto o impacto da estrada. O percurso nesta fase está sempre rodeado por árvores, não dá para ver a subida, mas, ao passar a placa do quilómetro 10, a estrada vira à esquerda e lá está ela. A subida não é meiga, começa dura e prossegue duríssima a cada metro que passa. Aos poucos, o peso da subida começa a dificultar a progressão, ao ponto de, já na parte final, ter decidido andar um pouco para conseguir respirar. São apenas 300 metros, mas a 15% certamente que custou até ao vencedor da prova… Chegado ao cimo, o Fim da Europa está feito mas não desliguei da prova.
  • 4.ª parte: a parte mais fácil da corrida
    Os últimos 6 quilómetros são sempre a descer. Decidi aumentar o ritmo para melhorar o tempo final e aproveitei a gravidade para tentar correr num ritmo abaixo dos 4m00. Dos 6 quilómetros, consegui esse objetivo em apenas três. Embora seja sempre a descer, procurei ter sempre atenção ao piso porque, em algumas zonas, o chão estava húmido, com um pouco de lama e com remendos no alcatrão. Chegado ao cruzamento da Azóia para o Cabo da Roca, o piso era bem melhor e, por isso, foi só mesmo deixar-me levar pela descida.
A parte final da Corrida Fim da Europa é um alívio para os corredores
A parte final da Corrida Fim da Europa é um alívio para os corredores

E assim, após os mais de 16 quilómetros que esta a prova tem, consegui melhorar o meu anterior registo, retirando mais de 1 minuto e meio ao tempo de 2019. Agora, o novo recorde é 01h16m52. Em 2021 é para melhorar este tempo…

Corrida Fim da Europa: prova com um percurso bastante duro, exigente e onde é preciso ter uma boa preparação, embora os últimos 6 quilómetros sejam uma borla para o corredor.

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FOTOS: Vasco Cabós