O desafio não poderia ser mais impressionante: o alemão Jonas Deichmann está a realizar um triatlo com início e fim na cidade alemã de Munique. Com um pequeno pormenor: o trajeto compreende uma volta completa ao globo terrestre.

Denominado Triathlon 360°, o novo desafio de Jonas Deichmann apresentou-se como o mais longo triatlo que é possível realizar, desde logo porque se trata de uma jornada de circunavegação ao planeta. Encarado de outra forma, significa também o cumprir da distância de 120 Ironman (cerca de 40 mil km) de uma só vez e com o mínimo de pegada de CO2.

Jonas começou a sua aventura em setembro de 2020, em Munique, tendo começado com a bicicleta. O destino? A Croácia, onde nadou 456 km ao longo da costa até ao Montenegro, onde voltou a pegar na bicicleta, desta feita para atravessar o resto da Europa e da Ásia até chegar à costa da China.

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Do Japão, Jonas apanhou um barco para atravessar o Oceano Pacífico e começou a sua aventura em Tijuana, no México, onde correu 120 maratonas entre Tijuana e Cancún (cerca de 5.000 km) em 120 dias.

Neste momento, Jonas Deichmann espera apanhar um barco para atravessar o Oceano Atlântico e desembarcar em Lisboa, sendo que, na capital portuguesa, o alemão volta a pegar na bicicleta para pedalar até ao destino final: Munique (cerca de 4.000 km).

A confirmarem-se as previsões do germânico, a chegada acontecerá cerca de 13/14 meses após a partida, com perto de 40.000 quilómetros no corpo!

A força da experiência

Embora avassalador, o desafio que Jonas Deichmann decidiu empreender agora acaba sendo o culminar de uma série de provas não menos impressionantes.

Detentor de vários recordes mundiais, Deichamnn foi o primeiro a fixar registos de ciclismo nas três grandes travessias continentais: Eurásia, de Portugal a Vladivostok, em 64 dias; a lendária Panamerica, do Alasca à Patagónia em 97 dias; e, mais recentemente, do Cape North, na Noruega, até Cape Town, na África do Sul, em 72 dias. Sendo que, neste último caso, o alemão conseguiu fazer a distância em menos um mês que o anterior recordista!

Por isso, a explicação para este desafio acaba por ser fácil:

«Começam  a faltar-me desafios em bicicleta, sendo que eu sempre quis fazer a circum-navegação do globo terrestre sem ser de avião».

Sem rede de segurança

Tal como em desafios anteriores, Jonas Deichmann embarcou também nesta circum-navegação sem qualquer veículo de suporte. Por exemplo, nos momentos de natação não existiu qualquer embarcação de apoio. O alemão nadou com uma espécie de jangada construída especificamente para o efeito, onde transportava tudo aquilo que necessitava para, e chegada a noite, nadar até à costa e acampar.

De resto, também nas etapas em bicicleta o alemão transporta consigo todos os apetrechos para poder ir acampando ao longo da estrada.

«Além da distância, a logística é um dos aspetos mais complicados. Nas etapas de natação tive de ter em conta as correntes, assim como foi preciso levar em consideração as janelas temporais para poder passar os Himalaias e os oceanos. Também tenho de encontrar um barco que esteja na disposição de dar-me boleia para atravessar os oceanos», afirma Jonas.

Aliás, com este projeto, Jonas Deichmann, que é também um bem conhecido speaker motivacional, pretende recolher fundos para, juntamente com uma ONG, doar bicicletas para os mais novos em África.

«Trabalho com uma ONG que doará bicicletas aos mais novos em África, crianças que têm de andar 15, 20 km para estudarem. A educação é o futuro», afirmou à EFE.

FOTOS: Jonas Deichmann