Em uma semana, João Pereira alcançou o título europeu no Triatlo nas distâncias olímpica (1,5 km de natação, 45 km de ciclismo e 10 km de corrida) e sprint (750 metros de natação, 20 km de ciclismo e 5 km de corrida), recolocando novamente Portugal nos lugares cimeiros da modalidade (também não podemos ignorar, em ambas as provas, o terceiro lugar de João Silva). O português começa assim da melhor forma o ciclo Tóquio2020, principalmente por ter ganho a distância olímpica. Entre hoje e quarta-feira vamos falar com o triatleta nacional…

 

 

O título na distância olímpica estava nos planos ou aconteceu de modo inesperado?
Sim, estava! Ser campeão europeu era um resultado para o qual trabalhava diariamente há muitos anos. O Campeonato da Europa e um bom resultado nessa prova é sempre um objetivo de cada época, que este ano consegui alcançar e que me enche de orgulho.

Qual a importância deste título para a sua carreira?
É muito importante. Os títulos são sempre importantes e este, sendo algo para a qual já trabalhava há alguns anos, ainda mais importante se torna pois vem confirmar todo o meu potencial e qualidades enquanto atleta de nível mundial. Para além disso, os títulos fazem-nos ter mais visibilidade e destaque, o que é muito importante para que os atletas consigam mais apoio. O ano de 2017 é o início de um novo ciclo olímpico e por isso foi muito importante esta afirmação já no início deste novo ciclo.

 

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João Pereira levou o nome de Portugal ao mais alto lugar do pódio

E como o pelotão internacional encarou o título? Sentiu que o “respeito” mudou, começaram a olhar o atleta João Pereira de um modo diferente?
Cada vez mais tenho vindo a ser um atleta temido em competição e, quantos mais resultados de relevo consigo alcançar, mais isso acontece. Por um lado é bom, pois dá-me mais confiança e mais à vontade em prova, para além de me tornar um atleta mais respeitado; mas, por outro lado, é mau pois, a cada prova, começo a ser um candidato ao pódio e todos os outros atletas começam a fazer marcação para irem ao lado ou a fazerem jogo de equipa para não permitirem que a prova me corra de feição. Em 2014, quando fui quinto no Campeonato do Mundo (WTS), senti muito essa marcação, daí ter optado em 2015 e 2016 por fazer épocas com menos relevo no Campeonato do Mundo para conseguir chegar aos Jogos Olímpicos sem os meus adversários me encararem diretamente como um candidato aos lugares cimeiros.

Qual acredita ter sido o segredo para a vitória?
Muito trabalho e dedicação, diariamente. Na prova, a confiança na minha corrida e a paciência para conseguir esperar pelo momento certo para atacar.

 

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Aliás, foi notório ver a sua enorme vontade no sprint final. Quando tomou plena consciência de que poderia vencer o Europeu?
Só tomei consciência de que poderia ser o próximo campeão da Europa a poucos metros da meta. Foi só quando tomei consciência de que, depois de inúmeros ataques por parte dos restantes membros do pelotão, eu não tinha descolado e ainda me encontrava com forças para o sprint final.

 

Publicado por Kitzbühel Triathlon em Sábado, 17 de junho de 2017