Cansado dos treinos de Corrida e Trail, Gildo Silva decidiu há três anos, devido aos seus 30 anos, experimentar o Triatlo. Hoje a modalidade faz parte do seu dia a dia. O mais recente foi o Ironman Nice, considerado um dos cinco mais difíceis do Mundo. Nesta primeira parte abordamos a preparação e as razões da sua escolha. Amanhã, quinta-feira, publicaremos a prova, que comprovou ser uma das cinco mais difíceis do Mundo…

 

Chamo-me Gildo Silva, tenho 32 anos, natural de Pisões (concelho de Alcobaça) e estou no mundo do Triatlo há 3 anos.

Tudo começou quando tinha 29 anos, já exausto de competições e treinos de corrida, Trails e Ultra Trails, Maratonas e Meias-maratonas. Queria marcar a passagem para os meus 30 com algo diferente do habitual e do nada apareceu a ideia de realizar um Ironman.

Já atleta desde os meus 12 anos, iniciei-me com a modalidade de Orientação na escola. Com diversos títulos regionais, federei-me, conseguindo ser campeão regional e nacional diversas vezes. Comecei também a nadar e a entrar na competição, estando na mesma durante 4 anos. Quanto à bicicleta, sempre andei de bicicleta, desde que me lembre…

Ou seja, estavam reunidas as bases para que o meu sonho fosse para a frente e assim foi. Nesse mesmo ano participei uma prova de Triatlo curto cá em Portugal. Tentei obter o máximo de informação possível com amigos, pesquisas na internet, regras, experiências, etc. Inscrevi-me e fui sozinho para a Alemanha fazer o Campeonato da Europa de Ironman 70.3 (metade das distâncias de um Ironman), ainda sem qualquer tipo de experiência em triatlos. 

Desde então fiquei maravilhado com toda a logística, ambiente e experiências em torno de uma prova destas dimensões. No ano seguinte, altura em que completei os meus 30 anos, estava em Zurique para fazer o “meu” ambicionado Ironman (3,8 km de natação, 180,2 km de bicicleta e 42,2 km de corrida).

Desta vez, a experiência tinha sido ainda maior. O desafio das distâncias, que são surreais para muita gente, no meu lugar fascinava-me completamente. Percorridas 10h45 de esforço intenso, a chegada à meta valeu por tudo.

Tenho realizado então uma prova de Ironman por ano. No ano passado ainda consegui bons patrocínios e isso ajudou muito, algo que, em Portugal, é extremamente difícil de acontecer. Hoje, já sem qualquer tipo de apoio, faço somente um. O custo da inscrição, a viagem, a estadia é algo realmente muito dispendioso.

Beleza e sacrifício em Nice 

A escolha deste ano recaiu no Ironman de Nice (França), um dos cinco mais difíceis do mundo. Estava lançado o desafio… Mas se o meu objetivo no primeiro Ironman era simplesmente acabar a prova, este ano o intuito era baixar das 10h00. No entanto, sabia que seria extremamente difícil o fazer, dada a complexidade da prova em si e das condições, concretamente a elevada temperatura ambiente e um percurso de bicicleta extremamente exigente.

Acompanhado por um amigo treinador, a preparação mais específica começou a ser realizada uns 4 meses antes da prova. Coisas como 5h00 de bicicleta, séries e rampas na corrida, natação em piscina e no mar, muitas vezes sozinho, era “prato do dia”. No fim-de-semana… treinos bi-diários pelo meio e transições.  A acompanhar isto, uma alimentação variada, massagem e descanso. Confesso que temos de abdicar de muita coisa nesta preparação, tais como jantares com amigos, álcool, saídas à noite, competições, etc. Tudo em prol dos treinos que temos de realizar nos dias seguintes.

Quando realizo um Ironman, independentemente do local, procuro sempre um sítio diferente de onde já estive, de modo a conseguir conhecer posteriormente a zona. A cidade de Nice ficou-me marcada, não só pela experiência que viria a ter, mas como as pessoas, o sol, a praia, as esplanadas, o calor, o mar azul, as montanhas…

 

Gildo Silva faz do triatlo uma "desculpa" para conhecer locais, como Nice
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