Ao vencer o Trail Vila de Rei (50 km; 2080 D+; 4h15m30), Tiago Cantante Romão assegurou um lugar no Mundial da modalidade na região da Toscana, em Itália, no próximo 10 de junho. O triunfo ocorreu devido a sua alta perfomance, mas isso não impede Tiago Romão de lamentar algumas situações menos positivas que ocorreram na prova, como alguns atletas se perderem e a falta de alimentação nos abastecimentos para os últimos participantes.

 

Qual a estratégia que utilizou no Trail Vila de Rei? Era a que, inicialmente, previa utilizar?
Não tinha uma estratégia propriamente definida para a prova, sabia que tinha de controlar o ritmo para terminar bem, sabia que podia contar com a “ajuda” do meu colega de equipa Luís Mário Fernandes e a ajuda da minha família nos abastecimentos. Tudo o resto era alimentar-me e hidratar-me bem. Claro que tinha uma ideia de como os outros iriam gerir a prova e isso foi talvez o que mais me surpreendeu, mas apenas procurei fazer a minha prova.

Vai representar Portugal no Mundial de Trail. E agora?
Representar Portugal num Mundial não é de todo uma novidade para mim, pois já o fiz muitas vezes na Orientação. Mas no Trail vai ser sem dúvida uma enorme experiência. Tenho 27 anos e muito pouco tempo na modalidade, mas pretendo nesta primeira experiência aprender o mais possível com os outros elementos da equipa portuguesa e equipa técnica, assim como perceber qual o meu nível competitivo.

Um dos seus objetivos no Trail Vila de Rei era estar no Mundial?
Sim, mas o meu objetivo primário para esta época é o Campeonato de Trail. Não tinha planeado fazer provas de Ultra Trail. No entanto, após ter feito um boa prova nos Trilhos dos Reis, fui desafiado a tentar o apuramento para o Mundial. Ou seja, o meu objetivo em Vila de Rei foi exclusivamente estar no Campeonato do Mundo.

LEIA TAMBÉM
Trail Vila de Rei: o duelo que não existiu entre Tiago Romão e David Quelhas

O que o Tiago Romão achou do percurso?
Nunca tinha corrido a prova e fiquei agradavelmente surpreendido com o percurso, com algumas zonas bastante agradáveis e técnicas.

Sobre a prova em si, quais as suas considerações? 
Gostei da prova no seu geral, mas, apesar de não ter sido prejudicado por isso, sei que existiram bastantes pessoas a perderem-se num ponto do percurso e que os últimos atletas já não tinham quase nada nos abastecimentos, situações que considero lamentáveis.

Qual o momento que ainda hoje recorda?
Recordo o momento em que o David Quelhas me ofereceu água. Felizmente acabei por não precisar, mas são gestos destes que fazem parte do espírito do Trail!