Em 2014, a italiana Francesca Canepa foi desqualificada do Tor des Geants (330 quilómetros e 24.000 metros de D+) por uma suposta fraude, concretamente por ter percorrido parte do percurso de carro. Hoje, cinco anos depois, ficou provada a sua inocência

A denúncia da fraude de Francesca Canepa, campeã da prova nos dois anos anteriores, foi dada pelo italiano Paolo Rossi, que garantiu que a sua compatriota tinha apanhado um carro próximo de Cogne (km 102,1)

Apanhei Canepa a cometer um crime… A passagem entre Cogne e Lillaz é bastante clara. […] Não fui ultrapassada por ela… É a minha palavra contra a dela, Canepa não me ultrapassou. Vi um carro que subiu e depois desceu em Lillaz… Entendo agora a sua velocidade.

Na ocasião, Canepa garantiu que não fez nenhuma batota.

«Sei que vou ser acusada de ter subido num carro, mas, se necessitasse de algo assim para vencer o Tor des Geants, não me tinha inscrito.»

De referir que Canepa liderava a prova quando tudo aconteceu, após 26 horas de corrida. Retida no abastecimento de Donnas por duas horas, perdeu a liderança a favor de Emelie Lacompte.

Pouco depois, a italiana abandonou a corrida, com a organização da prova a desqualificar Canepa posteriormente por supostamente ter falhado um ponto de controlo.

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Cinco anos depois, foi provado por um tribunal a inocência de Canepa, com Rossi a ser condenado por difamação. Terá de pagar uma multa de 2.300 euros e indemnizar a sua compatriota em 15.000 euros.

Recorde-se que a italiana foi a grande vencedra do Ultra Trail del Mont Blanc 2018, a principal prova de Trail a nível mundial.

Eu sempre disse a verdade. Não quero acrescentar mais nada, já que todos os detalhes serão publicamente esclarecidos na conferência de imprensa que iremos realizar em breve, quando tivermos toda a documentação relativa à sentença. Se estou feliz? Nem tanto… Escutar novamente toda a história fez-me mal quase tanto quando tudo aconteceu, mas confesso que estou mais aliviada. O juiz confirmou o que digo há anos e que muitas pessoas quiseram ignorar

Durante o processo, Francesca Canepa apresentou como testemunho da sua inocênica na Tor des Geants um corredor e dois turistas que, pouco antes do posto de controlo de Goilles, o que supostamente falhou segundo a organização, a fotografaram. Três depoimentos cruciais para a sua inocência, que demorou cinco anos a ser reconhecida por todos.

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Foto: Instagram