Solange Jesus foi a grande vencedora da Meia-maratona do Porto, primeiro evento de massa da Run Porto, uma prova na qual a portuguesa queria fazer «uma boa corrida, ser apenas competitiva».

Antes de tudo, como foi este regresso a uma corrida popular?
Este regresso foi encarado com muita gratidão e com um sentimento de felicidade, afinal correr faz-me feliz e ainda por cima num ambiente destes. Foi um reencontrar-me comigo mesma. Foi muito bom reencontrar muitos colegas e amigos.

Mas fez, por exemplo, um balanço do que viveu durante a pandemia?
Estes tempos foram muito difíceis para todos, claro que para mim não foi diferente. Vinha de um conjunto de resultados positivos e de um momento para o outro tivemos as principais competições a serem canceladas. Agora olho para trás e, em termos de balanço, acredito ter sido algo de positivo porque, apesar de não treinar muito, mantive-me ativa e, acima de tudo, saudável.

E quais foram os seus sentimentos na linha de partida ao correr novamente uma prova popular? Estava com alguma expetativa especial sobre esse regresso?
Curiosamente, na linha de partida, não estava nervosa, já que não tinha de mostrar nada. Apenas tinha expetativas de fazer uma boa corrida e de ser competitiva. Tudo o que viesse era bom. 

Sobre a prova em si, gostou das medidas de segurança impostas pela organização?
Pessoalmente senti-me confortável e segura com as medidas de segurança impostas pela organização. Tinha algum receio de ficar algum tempo nas filas para a medição de temperatura, mas até isso foi super fluído!

Solange Jesus controlou a prova ao longo do percurso
Solange Jesus controlou a prova ao longo do percurso

Acredito que já tenha corrido a Meia-maratona do Porto. O que foi de diferente este ano?
Sim, já corri a prova em anos anteriores, mas em jeito de treino. Só por isso já foi diferente, com uma “responsabilidade” diferente. Sobre a prova em si, a única diferença foi mesmo a questão do percurso, que, a meu ver, pareceu-me ser uma alteração positiva. 

Para si, o que tem a prova de especial? O que a Solange Jesus destacaria da Meia do Porto?
A prova tem uma envolvência muito própria, tem um percurso bonito e muita gente a apoiar. Isso é muito bom para nós, atletas.

Esperava vencer a Meia do Porto? Até que ponto foi uma surpresa para si própria?
Tal como referi anteriormente, eu queria fazer uma boa corrida, ser apenas competitiva. 

Mas qual foi a sua estratégia para a prova?
Não pensei propriamente numa estratégia até porque, nesta fase, e falando por mim, não tenho ritmo competitivo e isso reflete-se na autoconfiança.

Poderia falar um pouco da sua corrida? Um pequeno resumo?
Tive boas sensações ao longo da prova e, com o avançar dos quilómetros, senti-me à vontade. Pelos 15 km sentia-me bem e foi aí que comecei a pensar que poderia fazer uma boa classificação. Deixei apenas o corpo responder às sensações. 

Ganhou com uma vantagem de 13 segundos sobre Sara Duarte. Como foi esse duelo?
Respeito sempre as minhas colegas/adversárias. Ontem eu estive melhor e estou feliz pelo resultado.

Até que ponto a não participação de atletas africanos acaba por aumentar a vossa expetativa na prova, já que há, evidentemente, uma maior probabilidade de vitória?
Claro que difere correr na frente de uma corrida, por si só já aumenta as expetativas dos atletas nacionais. No entanto, compreendo que o desporto também é isto… Mas também gostaria de ter oportunidades de correr em competições estrangeiras e continuo a acreditar que os atletas nacionais têm de ser valorizados.

FOTO: Facebook Meia-maratona do Porto