A mudança da partida da Meia-maratona de Lisboa, da Ponte 25 de Abril para o Eixo Norte-Sul, causou um enorme debate sobre a prova, com muitos a defenderem a posição da organização, mas também com outros a condenarem a tomada de decisão, defendendo que não era para tanto… Ricardo Areias, com vasta experiência em provas nacionais e internacionais, como em Berlim, Paris ou Chicago, escreve para o nosso site os prós e os contras da principal prova popular de estrada do calendário nacional.

 

Se já tive oportunidade de correr em cidades como Berlim, Paris ou Chicago, poder passar a correr na ponte 25 de Abril ainda é algo que me faz deslocar a capital. Por isso, regressei este domingo para a minha terceira participação na Meia-maratona de Lisboa! Prova mítica do calendário português e cada vez mais internacional, desta vez pairava sobre a prova a possibilidade de alteração do local de partida devido à passagem da tempestade Félix por Portugal, cenário que acabou por acontecer!

Sobre a prova em si, tenho pontos negativos e positivos sobre a corrida, algumas comuns a anos anteriores…

PORTA-BAGAGEM

A prova começa num ponto e termina noutro. No entanto, não há nenhum tipo de recolha de sacos para que o atleta possa, no final da prova, ter ao seu dispor um casaco, um agasalho ou algum alimento da sua preferência que gostaria de ter aquando terminasse a corrida.

Num dia de chuva como foi o de domingo, no percurso entre o local da meta e onde eu estava alojado, de aproximadamente 40 minutos, tive no corpo a roupa suada com que corri a prova, completamente encharcada da chuva que tinha caído, e um plástico oferecido no final pela organização, que pelo menos serviu para não apanhar no “pelo” toda a chuva que caiu com grande intensidade no trajeto.

BLOCOS DE PARTIDAS

Na maioria das provas, para se criar uma maior organização no momento da chegada dos atletas, são organizados blocos de partida, ou seja, pequenas grelhas que estão identificadas normalmente por letras: A, B, C, etc., onde no “A” ficam os atletas mais rápidos, no “B” aqueles que são um pouco menos rápidos e assim por diante.

Normalmente, esses dados são fornecidos no ato das inscrições ou, em casos mais exigentes, com o envio de um comprovativo de tempo para que a organização coloque os atletas de acordo com os seus ritmos.

Isso não existe em Lisboa, há um único local de partida para milhares de atletas. E onde está o problema?

O problema é que os atletas mais rápidos que queiram sair o mais à frente possível têm de se deslocar para a partida cerca de 1h30/1h45 antes no início da corrida para marcar o seu lugar. E, para piorar, isso impossibilita qualquer tipo de aquecimento e preparação para a prova.

Foi por exemplo o que aconteceu comigo: queria sair o mais possível à frente e cheguei no local da partida 1h30 antes da prova, onde estive sujeito a períodos de vento forte e alguma chuva. Como tal, fui obrigado a abdicar de um fator importante da corrida, o aquecimento, já que, caso o fizesse, perderia o lugar.

Há ainda outro problema: é normal que, inconscientemente, os corredores que correm por lazer procuram muitas vezes ficar à frente, desconhecendo por vezes o risco que passam pouco depois do tiro da partida, já que os mais rápidos têm como objetivo a melhoria dos seus tempos, o que causa algum perigo físico nas ultrapassagens aquando do encontro destes duas visões opostas de estar na corrida.

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Existe a possibilidade de adquirir um dorsal VIP, que, entre outras ofertas, inclui a possibilidade de começar à frente da corrida. Infelizmente, já vi pessoas com esses dorsais que tinham como objetivo caminhar e inclusive outras com carrinhos de bebé, que, por terem adquirido ou conseguido o dorsal VIP, posicionavam-se à frente, desconhecendo o risco que estavam a correr.

Gostaria de fazer aqui uma ressalva: entrei em contacto semanas antes da Meia-maratona de Lisboa tendo em vista a possibilidade de a organização me conceder um dorsal onde apenas iria ter proveito de começar à frente da corrida, possibilitando assim um correto aquecimento. O pedido foi-me negado!…

NÃO PERCA NA QUINTA-FEIRA A SEGUNDA PARTE DO ARTIGO