A distância entre Chaves e Faro é de 739 km, mas, segundo Sérgio Miranda, gestor de missões da RunSquadOPO, é possível concluir a Missão N2 até dezembro se o atleta correr 20 km por semana.

Quais pontos destacaria, na globalidade, desta Missão N2?
Destaco dois pontos ‘alvo’ da nossa missão N2: o mais relevante, a motivação e compromisso com o exercício físico saudável no médio-longo prazo. A isso decidimos associar o melhor entendimento do território para ajudar a planear uma viagem pela EN2 na vida real, tão cedo quanto nos seja permitido.  

Acredita que teremos, até dezembro deste ano, algum vosso corredor que, literalmente, correrá a N2? Ou seja, correrá a distância virtual e física da N2?
O desafio de correr a N2 na estrada é algo que, ironicamente, desaconselhamos. A N2 tem troços com grande densidade de tráfego automóvel e outros sem bermas ou passeios que permitam a prática segura da corrida. Ainda assim, ao longo desta missão virtual, quem participa receberá dicas sobre percursos pedestres e ciclovias em vários pontos da N2 em que poderão treinar, bem como indicação de provas desportivas em que poderão participar num futuro pós-restrições, que queremos próximo. 

Como referiram, o vosso projeto vai muito além da corrida, já que também inclui a parte histórica da N2. Como foi reunir esse material?
Essa foi a nossa maratona. Nesta fase que apanhou o período de confinamento com crianças em casa, o tempo foi um recurso escasso e intermitente. Apesar da prática profissional do nosso gestor de missão levar à pesquisa exaustiva da história e património por onde guia os seus grupos, não conhecia todo o trajecto desta N2, o que levou a muita leitura, compra de livros, perscrutar dezenas de blogs e perfis Instagram em busca de informação. Depois solicitar autorização para usar alguns conteúdos… Foi uma odisseia na N2!

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Mas este foi uma componente sempre presente desde o início do projeto? Mostrar esse lado da N2?
Sim! Perceber como e por quem foi construída esta longa estrada pareceu-nos uma boa base para divulgar outros aspetos das localidades atravessadas pela N2.

Outro dado a reter do projeto é o Dr. Runner. O que poderiam falar sobre ele?
Acompanhamos o projeto Dr.Runner desde a génese aqui no Porto e sempre considerámos uma colaboração. Dr.Runner é um coletivo de profissionais de educação física habilitados que acompanha atletas amadores na sua prática da corrida, com atenção a todos os componentes relevantes para a prática saudável e sustentada. Este pareceu-nos o projeto de colaboração certo e estamos muito satisfeitos por terem aceitado o nosso convite de forma entusiástica.

Em teoria, para concluir com êxito a Missão N2, será necessário ter uma média de 83 km/mês até dezembro. Acredita ser uma média aceitável?
Sim, é para nós muito aceitável. Estamos a falar de uma média semanal em torno dos 20 km, por exemplo 4 treinos de 5 km, para fazer a cada 7 dias.  Além disso, quem trouxer consigo um smartphone recente, ao longo do dia tem a sua atividade física monitorizada por defeito, pode usar esses mesmos dados neste desafio. Por exemplo, a app Apple Health sincroniza diretamente. Por outro lado,  se for praticante de vários desportos, incluindo ciclismo, remo ou natação, também pode somar essas distâncias. Passeios higiénicos, idas à mercearia, levar o cão à rua… Tudo pode contar! 

Qual a vossa perspetiva de corredores a finalizarem esta missão? Um número que gostariam de olhar no dia 1 de janeiro de 2022 e ficarem satisfeitos pore aquilo que construíram?
A nossa resposta é imediata: 739, tantos quantos os km da N2, tantas quantas as inscrições que iremos abrir nesta edição virtual de estreia.