Um dos principais nomes da ultradistância em Portugal e no mundo, João Oliveira vai no sábado tentar superar o recorde de Carla André no Douro FKT 100 miles (160,94 km/ D+ 4583m D- 4,444m), fixado em 22h34m20. Mas também procura evitar que o seu possível registo seja ultrapassado no futuro…

Habitualmente não tem por hábito realizar este tipo de desafios. Porque decidiu correr a Douro FKT 100 miles?
Decidi correr a Douro FKT 100 miles como uma resposta a publicidade do evento, o desafio em baixar o tempo. Este é o motivo que me faz correr este desafio.

Na sua opinião, qual a diferença entre um FKT e uma prova oficial?
Nesta questão, como não estava muito dentro do tema deste novo tipo de prova, pedi ajuda ao diretor do evento, que referiu que um FKT é um desafio individual fora do âmbito das provas e que está perfeitamente enquadrado com as recomendações da DGS relativamente ao distanciamento social. O atleta faz o desafio individualmente com uma pequena equipa de apoio e pode desafiar-se a estabelecer o melhor tempo num bonito percurso, como é o caso do Douro. Os FKT não acarretam custos de inscrição e permitem mais liberdade para a escolha da data a realizar, ao contrário das provas que têm data fixa. Além de terem muito menos chances de serem cancelados, pois não estão sujeitos à regulamentação das provas.

Mas prefere correr contra você mesmo ou contra outros corredores?
Na realidade sempre corri contra o tempo. E, quando há um tempo já registado que tenha feito, tento sempre baixá-lo. O segredo é esse mesmo: concentrar em melhorar a nossa marca, já que os resultados acabam por aparecer por si próprios.

Em termos psicológicos, como analisa um FKT e uma prova?
Um FKT é um desafio em contrarrelógio, em que temos referências de atletas que já fizeram o percurso e de outros que possivelmente ainda o irão fazer. A pressão da prova não está lá, mas sim a tentativa pessoal de bater uma marca estabelecida. O atleta é que coloca a pressão sobre ele mesmo, dependendo dos objetivos que pretende alcançar em termos de quanto é que pretende baixar o tempo estabelecido.

Mas considera que há uma grande diferença entre um FKT e uma prova?
Há uma diferença grande entre ter dezenas ou centenas de atletas a competir numa prova, pois isto altera toda a dinâmica, estratégia e abordagem à prova. Num FKT estamos a lutar mais contra o relógio e concorrentes imaginários.

One Hundred® Douro FKT

💥 After weeks of preparation and 23 hours of intense running, One Hundred®️ Douro FKT left memories that must be revived.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⛰ The 100-mile race says “see you next time” until someone attempts to beat the time set by the course pioneer – our UltraCEO João Andrade! Who will be the first one to dare run 100 miles in the Douro in “supported” mode under 23:15:26 hrs in the summer heat? 🔥⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀➡ Do you imagine being the first one to beat this mark?#StayTuned because João will be launching a challenge to you in the next few days and we will have awards to give to whomever survives the course faster than him! Lace-up your shoes, put up a team together and get ready!⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀#FindYourSummit#SetYourOwnAmbush

Publicado por One Hundred em Quarta-feira, 22 de julho de 2020

Conhece o percurso?
Somente conheço cerca de 14 km, que é a parte onde se realiza a Meia do Douro Vinhateiro, que fica sensivelmente entre os 96 e os 110 km da prova. Não conheço nada do restante percurso, apenas sei que tenho que dar bem à pernas (risos).

Tem uma longa experiência em provas de longa distância. O que espera deste desafio em concreto?
Superar mais um desafio. Quanto mais desafiante for o desafio, mais sou atraído por ele. Se a minha carteira suportar, é uma certeza a minha presença.

E acredita ser positivo termos este tipo de desafios no nosso país?
Neste momento, com a falta de provas, o Douro FKT vem abrir uma possibilidade de competição cumprindo todas as regras da DGS. É uma luz que se acendeu e penso que deveria se estimular a criação de mais desafios deste género em Portugal para que mais atletas se possam beneficiar deles.

A sua equipa de apoio é constituída pela Flor Madureira e pelo Carlos Madureira. O que poderia falar sobre ela?
A Flor Madureira e o Carlos Madureira são ambos atletas, com experiência em ultras, mas também organizadores de ultramaratonas. Como refere o lema da ALUT, criado pelo diretor de prova, o Bruno, «uma prova feita por atletas para atletas». Assim, seguindo este raciocínio, estamos perante atletas experientes que sabem observar e sabem com antecedência o que o atleta necessita, sabem avaliar o atleta. Quando o mesmo se encontra fisicamente em baixo, nada como ter eles ao nosso lado, já que sabem como nos reanimar, como nos colocar novamente em competição. A Flor já o fez comigo e também já tive apoio do Carlos, quando fiz as 24h de Vale de Cambra, quando ele também estava a dar apoio à Flor.

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A Carla André registou no fim-de-semana um novo tempo no percurso, 22h33m50. O João Oliveira ficou surpreso com este tempo no Douro FKT 100 miles?
Quando somente lhe faltavam cerca de 23 km pensei que iria fazer na casa das 20h30. Mas a última parte castigou muito a atleta, que acabou por perder muito tempo. Esteve cerca de 17 km à frente do tempo do Leonel e ficou somente a cerca de 5km de diferença no final da sua prova. Mas há que ressalvar o seu enorme feito, já que a Carla correu os 100 km mais rápidos até a data no seu percurso desportivo, o que evidencia que tem uma grande capacidade de melhorar este tempo, em muito.

Qual a meta do João Oliveira no Douro FKT 100 miles? Qual o tempo que anseia alcançar?
A minha meta é, na verdade, chegar a Cinfães. Mas no menor tempo possível e com toda a equipa…

João Oliveira está pronto para o desafio Douro FKT 100 miles
João Oliveira está pronto para o desafio Douro FKT 100 miles