Abastecimento Maratona de Valência

Especialmente para os atletas de Elite, os abastecimentos são quase tão importantes quanto a própria corrida. A Maratona de Valência foi inclusive pioneira nesse momento chave de uma prova.

O mais certo é que, na maioria das corridas em que o leitor já participou, os abastecimentos tenham sido feitos sem muitas regras, por jovens ou simples colaboradores sem formação, a quem foi apenas dito que devem passar garrafas de água aos atletas que as pedirem. No entanto, entre os atletas da Elite, não é assim!

Geralmente, este é o resultado na maioria das corridas onde os abastecimentos são feitos através da simples entrega de garrafas de plástico. Algo bem diferente daquilo que acontece em Maratonas como a de Valência e para os atletas de Elite...
Geralmente, este é o resultado na maioria das corridas onde os abastecimentos são feitos através da simples entrega de garrafas de plástico. Algo bem diferente daquilo que acontece em Maratonas como a de Valência e para os atletas de Elite…

O método original da Geiser Events

Recentemente, e como revela a publicação espanhola Corredor, a organização da Maratona de Valência, a Geiser Events, concebeu um método inovador para os abastecimentos, que inclusivamente já foi exportado para outras maratonas no mundo e que procura reduzir ao mínimo quaisquer penalizações nos tempos finais dos atletas.

Mais precisamente, as perdas de tempo resultantes da diminuição da velocidade, por parte dos atletas, para assim garantirem os tão preciosos líquidos e sais naturais de que necessitam, neste esforço sobre-humano.

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Um sistema de cores e números

Colocado em prática há cerca de três anos, este método baseia-se, segundo revela o seu ideólogo, José Enrique Cunha, da Geiser Events, «num sistema de cores e ordem numérica, disposto do menor para o maior, no sentido da corrida».

Pensado para facilitar a vida dos atletas que lutam pela vitória, procuram os mínimos olímpicos ou um outro qualquer recorde, o sistema contempla a existência de oito pontos de abastecimento ao longo da corrida, tradicionalmente coincidentes com os quilómetros 5, 10, 15, 20, 25, 30, 35 e 40.

Concebido segundo um sistema de cores e de números, o sistema de abastecimento concebido para a Maratona de Valência permite não só uma maior personalização, como também um mais fácil reconhecimento, por parte dos atletas, daquele que é o seu próprio bidão
Concebido segundo um sistema de cores e de números, o sistema de abastecimento concebido para a Maratona de Valência permite não só uma maior personalização, como também um mais fácil reconhecimento, por parte dos atletas, daquele que é o seu próprio bidão

Em cada um destes locais é possível encontrar sete painéis de sete cores diferentes, com cada uma destas cores a contabilizar um total de cinco mesas de 2 m x 1 m, com quatro garrafas cada. Ou seja, 20 bidões em cada cor, 140 por local de abastecimento.

Personalização e percepção nos abastecimentos da Maratona de Valência

Segundo refere o mesmo responsável, este método não só permite dar uma atenção mais personalizada a cada atleta, como ajuda a que este se aperceba mais facilmente e ainda a alguma distância onde está o seu abastecimento.

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De resto, e de forma a que tudo seja mais facilmente assimilado pelos atletas com aspirações, «no dia antes da corrida entregamos a cada atleta uma bolsa de papel – nada de plástico, até porque há que respeitar o Meio Ambiente – com oito bidões, um marcador e oito pegas de uma só cor onde os atletas podem não só escrever o seu número de dorsal, como o ponto do percurso em que pretendem receber aquele determinado bidão».

Da bolsa faz ainda parte «uma brochura, na qual é explicado todo o procedimento de abastecimento, desde o momento em que os atletas recebem a dita bolsa até à altura em que recolhem o abastecimento, em plena corrida», revela à Corredor.

Com um total de 140 atletas de Elite presentes na última edição da Maratona de Valência, foram mais de 1.120 os bidões personalizados que a organização teve de dispor, na totalidade dos oitos pontos de abastecimento ao longo da corrida
Com um total de 140 atletas de Elite presentes na última edição da Maratona de Valência, foram mais de 1.120 os bidões personalizados que a organização teve de dispor, na totalidade dos oitos pontos de abastecimento ao longo da corrida

Uma vez que os atletas de Elite preferem ser eles próprios a abastecer os respectivos bidões, com os líquidos da sua preferência, uma vez atestados, os bidões para a Maratona de Valência devem ser entregues à organização durante a manhã de domingo, entre as 05h30 e as 06h30, num dos dois hotéis indicados para a acomodação dos atletas – um destinado aos atletas africanos, ao passo que o outro para os espanhóis e restantes europeus.

140 maratonistas, 1.120 bidões de abastecimento

Ao todo, recorda o mesmo responsável, são um total de 1.120 bidões de abastecimento, oriundos de 140 maratonistas de Elite, que devem ser recolhidos em apenas duas horas. Sendo que, depois, já durante a corrida, existe, em cada ponto de abastecimento, um responsável de área e cinco elementos da organização, todos profissionais, responsáveis por garantir que tudo corre pelo melhor.

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«Contando com o processo de entrega, recolha e distribuição de bidões de abastecimento, somos 54 pessoas», revela José Enrique Cunha, da Geiser Events, acrescentando que, além dos meios humanos, são ainda necessários 10 furgões grandes – um para cada um dos pontos de abastecimento, mais dois para a distribuição.

Dependendo não só das preferências de cada atleta, mas também do tipo de bebida que cada bidão contém, a organização da Maratona de Valência consegue assegurar que, sempre que necessário, os recipientes permaneçam no frio
Dependendo não só das preferências de cada atleta, mas também do tipo de bebida que cada bidão contém, a organização da Maratona de Valência consegue assegurar que, sempre que necessário, os recipientes permaneçam no frio

Isto porque, acrescenta o mesmo responsável, «há bidões que necessitam de estar num ambiente frio, ao passo que outros não. É algo que tanto depende do gosto do atleta, como do tipo de bebida que este ingere. Sendo que, no caso das bebidas que necessitam de ser mantidas no frio, são-nos já entregues com uma coberta especial, que nós lhes fazemos chegar previamente».

De resto e graças não só ao sucesso confirmado deste método, mas também ao óptimo feedback que a organização da Maratona de Valência tem recebido relativamente aos seus abastecimentos, José Enrique Cunha revela, também em declarações ao Corredor, que «tomámos já conhecimento de que este mesmo método foi já posto em prática noutros países».