Depois de superar o recorde do mundo dos 160 km há menos de um ano, Zach Bitter voltou a repetir o feito, desta vez na passadeira.

Em agosto de 2019, Zach Bitter, de 34 anos, correu os 160 km em 11h19m13. Em março último, o corredor pretendia melhorar a sua marca na Ultra de Londres (160 km numa pista de 400 metros). No entanto, devido ao coronavírus, a prova foi adiada e Bitter foi obrigado a adiar o seu desejo.

Como todo corredor sabe que ter objetivos é essencial para manter a motivação para os treinos, o norte-americano decidiu superar as 100 milhas na passadeira, que estava na posse de Dave Proctor, do Canadá, com o tempo de 12h32m26, registo alcançado em maio de 2019.

De referir que o máximo que o norte-americano tinha corrido numa passadeira foi cerca de 50 km (cerca de 30 milhas). Zach Bitter revelou ainda à Runner’s World as diferenças entre correr na pista ou na passadeira.

«É uma questão patológica. Quando corro na pista, controlo as minhas parciais, que procuro que sejam iguais. Na passadeira, colocas o ritmo e esqueces, o que é bom por não te preocupares, embora percas um pouco o controlo. Ou seja, respondes à máquina, enquanto na pista sou eu a responder-lhe.»

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De notar que, durante a sua preparação, Bitter conversou com alguns atletas que tinham experiência em correr numa passadeira, principalmente para entender a biomecânica deste desafio, tendo em vista a antecipação de eventuais dores físicas.

«A biomecânica num desafio deste tipo é muito importante, já que necessitas de oferecer ao corpo algumas mudanças, algo diferente com o decorrer do tempo. Falei com um corredor que aconselhou, por exemplo, a alterar por vezes a inclinação e a alongar os isquiotibiais e as ancas.»

Como curiosidade, refira-se que Zach Bitter utilizou neste desafio duas passadeiras na sua casa, em Phoenix. Jamil Coury, Dean Karnazes, Bert Kreischer, Courtney Dauwalter, Maggie Guterl e Sally McRae foram apenas algumas das figuras que apoiaram o norte-americano ao longo da sua corrida, que teve também um cariz solidário, com a verba a ser entregue a ONG Fight For the Forgotten.

No total, Zach Bitter correu as 100 milhas (160 km) em 12h09m15 (ritmo: 4m33/km), alcançando ainda outro recorde, concretamente 98,64 milhas (158,74 km) em 12 horas.

No desafio, o norte-americano apenas parou nas 87 milhas (140 km) para comer batatas fritas (o único sólido que comeu durante as cerca de 12 horas!!!) e tomar um banho.

No total, Bitter retirou 21m21 ao anterior recorde, um registo realmente impressionante.

«Há momentos em que, fisicamente, estás bem, mas, mentalmente, o único que queres é deixar a máquina. É uma máquina bonita, mas 12 horas de qualquer coisa é muito», afirmou após o término do seu desafio.