Tricampeão mundial de Triatlo, o espanhol Mario Mola é um defensor acérrimo do treino e da evolução que este garante, assumindo mesmo a importância de alguns aspetos no trabalho diário, a que no início não dava grande importância mas que depois passou muitos anos a pagar a fatura.

As revelações de Mario Mola sobre a importância do treino na sua evolução foram feitas pelo próprio durante uma entrevista à Red Bull, em que o espanhol revelou algumas particularidades que, nos últimos anos, introduziu no seu treino e qque, garante, fizeram-no melhorar.

  • O peso da dedicação
    O espanhol recorda que o Triatlo é uma modalidade que obriga a muitas horas de trabalho, pelo que «não há segredos», sendo necessário seguir uma rotina de treino semanal com 5 a 6 horas de natação, 13 a 14 horas de bicicleta e mais 5 a 6 horas de corrida a pé, o que faz com que «treinemos duas a três vezes por dia», sendo que, «se somarmos a essas 25 horas o descansar, as sessões de fisioterapia… acaba sendo um trabalho para as 24 horas do dia, sete dias por semana. No entanto, é preciso ter presente que foi uma escolha nossa, ninguém nos obrigou!»

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  • Treinar por segmentos
    Colocando a questão se devemos centrar o nosso treino naquilo em que somos melhores ou se, pelo contrário, devemos focar-nos nos nossos pontos fracos, Mola recorda que uma vez ouviu dizer a um grande treinador que, «se não potenciarmos as nossas virtudes, estamos a desperdiçar aquilo que nos faz especiais. Até porque, para seres razoável nas restantes disciplinas, tens muito tempo. Assim, se possuis algum dom ou maior facilidade nalgum segmento, deves potenciá-lo, pois será isso que te diferenciará dos restantes».
    Ainda assim, e no caso do triatlo, uma modalidade que engloba três especialidades, o recomendável é que «dês atenção às três. Já que, por exemplo, a natação até pode não te ajudar a ganhar uma corrida, mas certamente poderá fazer com que a percas, e isso não deves permitir».
  • A importância do ginásio
    Mario Mola reconhece na entrevista que, até há dois anos, ia pouco ao ginásio por considerar que, «com mais de 20 horas de treino ao longo da semana, entre nadar, pedalar e correr», já bastava. No entanto, e com o passar do tempo, «dei-me conta de que era bom ir ao ginásio para corrigir algumas das minhas deficiências. Agora vou duas a três horas por semana para fazer treino de força e cardio. Força também se pode trabalhar de outra forma, por exemplo remando ou fazendo subidas com a bicicleta; já o cardio considero-o muito importante. Ou estamos bem ou assim que chegarmos à corrida a pé vamos cair».
  • Não se treina no máximo
    «Ao contrário do que muita gente pensa, é raro treinarmos no máximo da nossa capacidade. Isso faço-o nas corridas», defende o espanhol. «Na maioria dos dias, 80% dos desportistas que estão a ler este artigo podiam vir treinar comigo, tal como, em 100% dos treinos, uma grande percentagem conseguiria chegar ao fim. E atenção: estou a falar de atletas de nível médio-baixo.» Isto porque, defende, o segredo está na perseverança, na soma de quilómetros, na consistência.
  • Dias sem treinar
    «Infelizmente tenho muito poucos», desabafa Mario Mola, recordando que, no triatlo, «habituamo-nos a funcionar sem uma paragem total (…) Sei de pessoas que procuram concentrar o seu plano de treinos para poder ter um dia de descanso, mas, no meu caso, a última vez que não treinei foi numa viagem de 24 horas até à Austrália. Excetuando situações como esta, a verdade é que encontro sempre algum tempo para correr ou nadar, até para que o corpo não perca o hábito».
  • A pré-competição
    Habituado a uma carga de treino de 25 a 30 horas por semana, a partir do momento em que faltam apenas 15 dias para uma prova, Mario Mola revela que reduz a carga semanal para 20 horas, «sendo que, na última semana, diminuo drasticamente o volume: não passo das 10 horas. Isto porque o nosso calendário de provas tem eventos muito próximos, sendo que, por outro lado, também não podemos baixar demasiado a quantidade de quilómetros».