treino intervalado

O exercício físico pode tornar-se um vício. Esta é a uma verdade que, por vezes, leva muitos atletas a treinarem acima do recomendável, causando mais prejuízos à sua saúde do que propriamente bem. Convidamo-lo a responder a cinco perguntas básicas que lhe permitirão concluir se está ou não a treinar em excesso...

Se é um daqueles atletas que já não consegue passar sem fazer desporto, chegando a realizar três sessões de ginásio, duas carreiras de longa distância e mais uma ou duas sessões de kick-boxing em apenas alguns dias, saiba que o desporto pode estar a fazer-lhe mais mal do que bem.

Na verdade, tão importante quanto o exercício físico, também é a recuperação e o descanso que o organismo necessita para conseguir responder conveniente e adequadamente à intensidade do treino.

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Para não estar a viver a denominada síndrome de excesso de treino, responda a estes cinco pontos:

  • Estou realmente muito exausto?
    A carga mental decorrente do excesso de treino pode conduzir a resultados contrários aos que se pretende atingir, como é o caso de um menor índice de energia e um maior risco de depressão. Esta é, de resto, a conclusão publicada pela revista Current Biology na sequência de um estudo realizado entre atletas, que os seus autores denominam de síndrome do excesso de treino
  • Muita dor, poucos resultados?
    «Ir além da tua zona de conforto é importante para melhorar a força e a capacidade cardiovascular», defende a treinadora pessoal Laura Hoggins em declarações à Runner’s World, acrescentando que «a recuperação é tão importante, senão mesmo mais que o treino em si». Porquê? À medida que vamos sobrecarregando os músculos, as suas fibras rompem-se, exigindo tempo para se repararem fisicamente e adaptarem-se a um novo estímulo. «Um treino sem recuperação adequada diminuirá as hipóteses de progresso», conclui Hoggins.
ginásio
  • Não estou a treinar muitas horas?
    Estudo fisiológicos demonstram que, especialmente quando se tratam de exercícios no ginásio, só os dois primeiros exercícios congregam 70% do rendimento de uma sessão. Isto é uma boa razão para nos centrarmos no período que mais interessa e, ainda mais, quando se tratam de exercícios que ativam músculos específicos. Treinar por períodos além dos 45 minutos faz com que o corpo deixe de render o máximo e passe a produzir cortisol, o que significa perder massa muscular e produzir gordura
  • Estou muito stressado?
    O desporto, depois de um dia de trabalho, reduz o stresse, com Hoggins a defender que «o stress afeta o sono, a frequência cardíaca e a digestão, pelo que devemos evitar viver permanentemente nessa condição. O exercício também reduz o nível de cortisol, ainda que seja preciso ter consciência de quando e como deve ser feito. Assim, se o exercício acontecer pouco antes de ir dormir, o organismo agradecerá que seja algo suave, como é o caso, por exemplo, de uma descontraída caminhada. No entanto, se for algo mais, é bem possível que passemos a noite acordados»
  • O meu corpo não responde ao que eu quero fazer?
    Se faz parte daquele grupos de atletas para quem o treino nunca é suficiente e que só sentem satisfeitos quando estão totalmente esgotados, então o mais certo é que esteja a treinar em excesso e a impedir o organismo de gozar o necessário tempo de recuperação e descanso. E, se isto não acontecer, dificilmente sentirá os benefícios do treino, tanto mentais como físicos, afirma Hoggins. A especialista acrescenta que o mais certo é sentir-se com pouca energia, motivação nula, além de aumentar o risco de lesões graves. A forma mais fácil de recuperar é mesmo nunca deixar de escutar o seu corpo.