A história de Tommy Rivers é daquelas de filme, já que, há cerca de um ano, esteve em coma induzido e amanhã, no domingo, vai correr a Maratona de Nova Iorque.

Há cerca de um ano, Tommy Rivers revelou correr no Grand Canyon com o seu amigo Derrick Lyttle quando começou a sentir-se mal.

«Foi uma noite muito dura. Pensei que não ia conseguir sair dali», recordou Tommy, acrescentando que «as coisas foram rapidamente de mal a pior» e que só com a ajuda do amigo conseguiu sair do Grand Canyon.

Pouco depois, estava nas urgências do Centro Médico Flagstaff, no Arizona, Estados Unidos, lutando pela sua vida devido a um raro linfoma pulmonar (no início pensou-se que contraíra o vírus da Covid-19), o que obrigou ao ultramaratonista, maratonista e triatleta a respirar através de uma máquina (leia aqui).

Após três meses, Tommy Rivers começou com a quimioterapia e chegou a pesar 43 quilos, o que dificultou ainda mais o seu transplante de medula óssea. Mas a verdade é que conseguiu e amanhã, domingo, vai correr a Maratona de Nova Iorque.

Tommy Rivers admitiu nas suas redes sociais que foi, obviamente, «um ano duro para todos» e que ainda falta «peças por unir», ainda mais quando muitos duvidaram da sua recuperação, inclusive o próprio. 

«Senti-me muitas vezes próximo da morte. Ela parecia flutuar sobre mim, esperando permissão para aterrar (…) A morte converteu-se em “alguém”, um mecanismo de sobrevivência porque “alguém” é mais fácil de lutar do que “algo”. Uma criatura, um anjo destruidor à espreita. Este fim de semana marca exatamente um ano desde o dia em que voltei a caminhar. Caminhei todos os dias desde então, um pouco de cada vez. No domingo estarei na partida da Maratona Nova Iorque a dizer o mesmo que digo todos os dias: “Continua a se mover. Apesar de tudo, estás aqui.”»

O desejo de voltar a correr foi fundamental na sua recuperação, «o desejo de ver as minhas pernas a se mover sem esforço e o meu pulmão a se encher de respirações profundas e completas. Não tens noção do precioso sentimento que é respirar de forma profunda até quando não o consegues fazer».

No final, e após passar um ano da sua existência entre a vida e a morte, Tommy Rivers tem apenas um recado a todos.

«Não sei mais quantos dias ou anos terei. Ninguém sabe. Tudo o que está garantido é o agora. Assim, não o desperdicem.»