Ryan Sandes ultra-distâncias

Naquela que é mais uma história de superação, o ultra-maratonista sul-africano Ryan Sandes acaba de cumprir 100 milhas (ou seja, cerca de 160 quilómetros) em qualquer coisa como 26 horas e 27 minutos. Sendo que, para tornar ainda mais difícil o desafio, fê-lo… no jardim da sua casa.

Num desafio a que chamou, precisamente, #HomeRun, Ryan Sandes decidiu enfrentar a marca das 100 milhas sem sair da sua casa, na Cidade do Cabo! Recorde-se que o sul-africano foi o primeiro corredor a vencer as quatro corridas disputadas em deserto (Atacama, Gobi, Saara e Antártida), cada uma a exigir uma autonomia a rondar os 6/7 dias e com cerca de 250 quilómetros de distância.

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Iniciada no começo da madrugada do dia 16 de abril, o trajeto definido pelo sul-africano, no seu jardim e em redor da moradia, tinha cerca de 110 metros, além de incluir alguns degraus, o que não só obrigou Ryan Sandes a realizar quase 1500 voltas à casa, como a cumprir um desnível total de mais de 4.500 metros.

«Foi muito mais difícil do que esperava», confessou no final e ainda visivelmente extenuado durante uma entrevista gravada com o smartphone da mulher, Vanessa.

«Na verdade, sinto-me muito aliviado por já ter chegado ao fim», desabafou. No entanto, não deixou também de brincar, ao afirmar que, agora, poderia descansar durante pelo menos uma semana, «o que vai ser uma boa desculpa para não ter de trabalhar no jardim ou nos arranjos que tenho de fazer aqui em casa».

Já sobre as motivações que o levaram a encarar este novo desafio, o sul-africano revelou que o que lhe intrigava era o aspecto mental deste desafio: «Seria eu capaz de superar um desafio com este nível de aborrecimento?». O sul-africano recordou em seguida as palavras do lendário Scott Jurek, que, há alguns anos, falou sobre aquele que foi o seu maior desafio ao correr numa pista, às voltas e num total aborrecimento, durante 24 horas: «A fadiga mental.»

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No entanto, e no caso de Ryan Sandes, contou com o apoio da sua mulher, Vanessa, mas também do seu filho, Max, os quais funcionaram como equipa de apoio, fornecendo os alimentos e bebidas que Sandes necessitava para se manter bem alimentado e hidratado.

«Foi muito bom ter sempre à disposição alimentos e bebidas variadas», comentou o sul-africano, reconhecendo, igualmente, que chegou a pensar em parar nos momentos em que se alimentava. Algo que, no entanto, acabou por não fazer, preferindo comer e beber enquanto corria.