Responsável pelo Centro de Marcha e Corrida de Odivelas, Rui Martins acredita que estes centros espalhados pelo mais, cerca de 90, «vieram alterar muita a forma de pensar e viver de muita gente».

Para o Rui Martins, qual acredita ser a importância destes centros no país?
Os Centros de Marcha e Corrida no país vieram alterar muita a forma de pensar e viver de muita gente. Conseguiu fazer com que muitas pessoas encarassem o exercício físico de outro modo, além do convívio que proporciona entre todos, algo fundamental para o ser humano, como podemos ver agora.

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O que pode ser alterado tendo em vista uma maior participação popular?
Sinceramente, não sei como vamos voltar… Por exemplo, se vamos continuar com o número limite de atletas no treino. O que posso garantir é que vamos continuar a dar treinos online, onde temos muitos atletas nas aulas, além de trabalharmos a comunicação, incentivando os atletas a não pararem os seus treinos. Estamos sempre a incentivar a prática desportiva, consciente das normas da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Acreditamos que temos capacidade para trabalhar em segurança um grupo com muito mais de 10 atletas, mas respeitamos as recomendações e regras impostas.

Como o Rui Martins faz para que o centro esteja ativo neste novo confinamento, algo que acontece aliás em outros centros?
Sem o confinamento tínhamos os treinos limitados aos números da DGS. Os treinos eram feitos por marcações, o que nos dava muito trabalho, já que temos muitos atletas e os números de participações eram muito reduzidas. Tivemos de duplicar as aulas para chegar a mais atletas.
Com o confinamento nunca paramos. Logo no início tivemos treinos via Zoom, no qual possibilita ao mesmo tempo estarmos todos juntos de uma forma virtual. Somos criativos e fazemos um pouco de tudo nos treinos virtuais, reforçando muitas vezes a mensagem de que corrida é corrida e reforço é reforço.

Neste período há, segundo alguns dados, um maior crescimento de pessoas a correr. Acredita que isso vai continuar após a Covid-19?
Como profissional de desporto tenho uma missão que é incentivar a prática de exercício físico. É um facto que o número das pessoas a correr nos confinamentos aumentou. mas, depois, com o retorno dos horários de trabalho e o stress do dia a dia, as coisas se complicam para quem não fica com o gosto do exercício.
Gostava muito que as pessoas que vejo na rua todos os dias a correr continuassem.

O que o Rui Martins aprendeu ao longo destes anos com o Centro de Marcha e Corrida de Odivelas e com a experiência dos outros centros, com a troca de informação entre vocês?
Aprendi muitas coisas, principalmente lidar com pessoas, mas também saber distinguir e orientar o meu tempo para as pessoas que mais precisam da minha ajuda. Todos precisam, mas existem algumas pessoas que procuram o centro não só pela corrida, caminhada, mas pela sua saúde mental. Se conseguirmos juntar a saúde mental com a saúde física, fazemos um belo trabalho.