De regresso após cerca de dois anos de ausência, o atleta internacional português Emanuel Rolim está de volta à competição, com novo clube, novo treinador e força de vontade renovada. O atleta confessa que viveu «um período muito duro» para uma das então maiores esperanças do Atletismo nacional.

Depois de cerca de dois anos afastado, período difícil durante o qual conheceu vários desaires e contrariedades, o Emanuel Rolim está de regresso à competição. Já consegue fazer uma avalização sobre tudo aquilo que passou? E, já agora, como foi o momento em que voltou a competir?
Este período foi mais um teste à minha resiliência como atleta, mais um obstáculo ultrapassado. Foi um período muito duro, ainda para mais com alguns acontecimentos inesperados que me testaram mais uma vez. Estou muito contente por estar a competir de novo. Sei que não estou minimamente em boa forma, pois o tempo que tive para estar a treinar com maior regularidade foi muito pouco e o tempo que estive afastado foi demasiado grande. Tenho a noção que 2 meses de treino não conseguem fazer milagres quando se está parado 2 anos.

Entre os muitos momentos difíceis, não temos dúvidas de que o desaparecimento em 2020 do seu então treinador, o professor Pedro Rocha, terá sido um dos momentos mais difíceis. Como foi viver um momento como esse?
Ainda hoje não acredito bem que o meu treinador partiu, foi como um pai para mim! Abalou-me muito e passei muito mal. Ainda hoje tenho algumas crises quando me lembro dele. Quando voltei a competir, na linha de partida, olhei para as bancadas à procura do meu treinador…

Entretanto, e numa altura em que procurava digerir uma situação difícil como esta, novo embate, com a não-renovação da ligação ao Sport Lisboa e Benfica. Como foi encarar mais essa situação?
A ligação com o Benfica termina como qualquer outra, simplesmente não tenho vindo a dar resultados ao clube e há jovens, neste momento, com grande potencial para representarem melhor as cores do clube. Passei muitos anos ao serviço do clube e fiz tudo o que esteve ao meu alcance para o representar da melhor maneira. Acho que tive bons resultados e fases menos boas, mas isso é como em tudo na vida.

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Quebrada a ligação contratual ao Benfica, surge então a decisão de abandonar o profissionalismo como atleta. Para um corredor que, especialmente na fase de juvenil e júnior, chegou a deter os recordes nacionais dos 1500 e 3000 metros, acreditamos que terá sido algo difícil de tomar…
Sim, ainda estava muito em baixo com a situação do meu treinador e nem sequer tinha pensado muito no meu futuro relativamente a uma renovação, que acabou por não acontecer. Daí tive de procurar novas soluções para o meu futuro e uma delas foi arranjar um novo trabalho fora do Atletismo e depois um clube para que pudesse ainda ter vontade de voltar a treinar.

[Continua amanhã, sexta-feira…]