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Após o término da quarentena, milhares de atletas deverão correr e regressar aos seus habituais treinos, como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu… Ignorar o treino de base poderá acarretar em lesões graves no futuro.

«Antes de tudo, o treino de base compreende as variáveis que serão trabalhadas dentro de um período básico de treino, as quais são importantes na preparação estrutural, fisiológica e psicológica do atleta para que este suporte as cargas de treinos que serão impostas até se chegar ao objetivo definido», refere Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil.

O especialista defende que esta fase de treino é bastante importante e fundamental no início do treino, mas também agora, após o confinamento social. Ou seja, e segundo Belino Coelho, é um erro começarmos a correr como se nada tivesse acontecido (saiba se deve ou não correr com máscara).

«Neste regresso é necessário trabalhar o desenvolvimento da resistência muscular e aeróbia, a força, a resistência de força específica da corrida e a força muscular obtida através da musculação, além de treinos que trabalhem a consciência corporal, o equilíbrio e a coordenação motora», defende.

O ganho da resistência aeróbia e muscular será alcançado através do aumento progressivo do volume de treino, que deve ser realizado, no período inicial, a uma baixa intensidade, o que favorecerá o fortalecimento do tecido ósseo, visto que a baixa intensidade permite que haja uma maior absorção do cálcio pelo osso.

Este simples comportamento, revela Belino Coelho, tem o propósito de diminur uma possibilidade de lesão óssea (como a fratura por estresse, por exemplo) no período em que os treinos são mais intensos e desgastantes, uma vez que estes aumentam a liberação do hormónio cortisol, responsável pela ação de catabolismo (geração de energia através da degradação do tecido muscular e ósseo).

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Em resumo, Belino Coelho defende que, após o término do confinamento social, os corredores não podem fazer os treinos que estavam habituados a realizar antes da paragem obrigatória, caso contrário a probabilidade de lesões nos próximos meses aumentará exponencialmente.

Se estivemos cerca de um mês em casa parados ou semi-parados, não é agora, quando podemos correr, que vamos fazer uma má preparação no regresso, uma má preparação que, no futuro, poderá significar uma paragem completa por mais de um mês devido a uma indesejada… lesão.

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