É um mistério em que todos nós, corredores, já pensámos: que tipo de respostas provoca uma corrida no nosso organismo? Como será que o nosso corpo funciona, antes, durante e depois de uma corrida?

O organismo antes da partida

Os momentos antes da partida para uma corrida são aqueles em que, desde logo, a nível psicológico, levam ao despoletar de uma maior pressão e ansiedade, com a frequência cardíaca e a respiração a aumentarem e a adrenalina a ajudar a um circular mais rápido do sangue pelos músculos.

Psicologicamente, a ansiedade pode ser combatida interiorizando palavras e ideias optimistas como forma de acalmar o cérebro e aumentar o foco na corrida, já que a pressão, pelo contrário, liberta um maior número de hormonas do stress, o que pode fazê-lo correr depressa de mais logo ao início.

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O organismo no início da corrida

Nos primeiros dois a três minutos da corrida, o normal é que o seu organismo recorra ao glicogénio, ou seja, as reservas de energia que estão nos músculos.

Quando estes se esgotam, o organismo socorre-se dos carboidratos e outros nutrientes armazenados, mais uma razão para que aposte nos carboidratos, principalmente nos dois dias anteriores à corrida…

O organismo já no ritmo da corrida

Ao mesmo tempo e à medida que os minutos avançam, as suas pernas começam a necessitar de 50 vezes mais oxigénio do que precisariam, por exemplo, quando em descanso. Isto ao mesmo tempo em que a temperatura do corpo aumenta e o suor começa a surgir, fazendo com que, por exemplo, num dia quente e húmido transpire perto de três litros por hora. Pelo que fica o aviso: não deixe de aproveitar todos os pontos de reabastecimento para se hidratar.

Com o sistema circulatório concentrado em levar o máximo de oxigénio para as pernas, o estômago é uma das zonas do organismo que se ressente da menor irrigação, o que o leva a fazer qualquer digestão de forma mais lenta. No entanto, e porque em particular nas provas mais longas e com mais de uma hora não é possível não reabastecer, o recomendável é que aposte nos carboidratos em gel e bebidas isotónicas, isto porque a barrinhas são mais difíceis de digerir e podem tornar-se a causa de dores de barriga…

O organismo na fase final da corrida

Chegado aos últimos quilómetros da prova, é importante manter um ritmo confortável – deve, por exemplo, conseguir falar enquanto corre -, de forma a evitar as cãibras e os espasmos. Sendo que, no caso destes aparecerem, o recomendável é que ingira mais carboidratos ou uma bebida isotónica, ao mesmo tempo que deve apostar em terminar em corrida, independentemente do resultado final,.

Caso se sinta já muito exausto e com os músculos cansados, tente distrair-se desse facto, ocupando a mente com outras coisas (por exemplo, relembrando a tabuada ou uma outra qualquer ocorrência feliz…)

A partir do momento em que tiver a meta à vista, então dê tudo o que tiver, até porque, nessa altura, poderá contar com o metabolismo anaeróbico, o qual tornará mais fácil a capacidade dos músculos de acederem às últimas reservas de energia.

O organismo no dia seguinte

Passadas cerca de 24 horas sobre o final da corrida, é normal que sinta os músculos inflamados e, consequentemente, dores nas pernas, algo que pode aliviar tomando um comprimido de ibuprofeno, até porque a recuperação só se iniciará uma vez cumpridas 72 horas sobre o fim da prova. Outra boa solução é optar, na alimentação, pelas massas, já que não só durante a corrida queimou muitas calorias, como o seu organismo só retomará o ritmo normal passadas 48 horas. Até essa altura, vai continuar acelerado…

Ao mesmo tempo, aproveite também para pendurar, num local bem visível, a sua medalha de finalista. Isto porque recordar um objectivo alcançado transmite mais confiança, além de ajudar a lidar com os momentos mais stressantes do dia a dia.