Eliud Kipchoge Nike

Depois da Nike ter ganho a dianteira na polémica com o feito conseguido por Eliud Kipchoge, ao terminar a Maratona em menos de duas horas calçando umas revolucionárias sapatilhas da marca norte-americana, as rivais como a Adidas, a ASICS, a Hoka, New Balance e Saucony não perderam tempo e anunciaram já as suas próprias sapatilhas de corrida com carbono. Mas o tema ainda não é propriamente consensual, mesmo em período de pandemia…

Tudo começou com a Nike a apresentar, ainda em 2016, a sua gama Vaporfly, que qualificou como «um exemplo de como um produto pode captar a fascinação de toda uma comunidade desportiva, ajudando, ao mesmo tempo, a fixar novos objectivos em termos de potencial dos atletas».

De resto, Kipchoge envergava um prótotipo das sapatilhas AlphaFly com três placas de titânio quando, a 12 de outubro, em Viena, conseguiu cumprir os 42,195 km da Maratona em menos de duas horas. Apenas um dia depois, Brigid Kosgei, calçando umas ZoomX Vaporfly Next% com uma placa de titânio, terminou a Maratona de Chicago com um novo recorde mundial na distância, com 2h14m04.

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Com os críticos a levantarem a questão das sapatilhas Nike serem um equipamento ilegal, a World Athletics decidiu intervir no assunto e, depois de uma investigação, não só limitou a espessura da sola a 40 milímetros (a Vaporfly tem 36 mm) e a uma única placa embutida, mas também determinou que só as sapatilhas que estejam em comercialização alguns meses antes poderão ser admitidas em competição.

«Apenas ajudam a maximizar a força e energia»

Para o jornalista norte-americano Brian Metzler, transcrito no Global Times, «as sapatilhas com placas de fibra de carbono fazem parte do processo de evolução, assim como da contínua inovação que tem estado no centro do desenvolvimento deste equipamento desde o início da década de 70 do século passado».

Kipchoge lebres

Este facto, acrescenta, é suficiente para tornar «as mais recentes criações algo legal por diversas razões, sendo que a maior é que elas não criam por si só energia, mas apenas ajudam a maximizar a força e energia que o atleta coloca na sua passada».

«Totalmente injusto»

Já Amby Burfoot, vencedor da edição de 1986 da Maratona de Boston e ex-chefe de redacção da revista Runner’s World, expressa uma opinião totalmente contrária à de Metzler, considerando inclusive as sapatilhas da Nike uma solução «totalmente injusta».

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«É o equivalente a deixar um grupo de saltadores de vara utilizar fibra de vidro, enquanto os restantes são obrigados a saltar com bambus ou outro material menos flexível», afirma ao Global Times.

Amby Burfoot acrescenta ainda que, «no fundo, a questão passa por saber se aceitamos que o desempenho dos atletas resultam ou não de proezas da engenharia…».