Referência entre os atletas IRONMAN, especialmente depois de ter participado e terminado o Campeonato do Mundo da modalidade, no Hawai, por 17 vezes, foi agora conhecida a notícia da morte do alemão Michael Krüger, com apenas 56 anos.

Soldado profissional já reformado, que durante mais de 30 anos esteve ao serviço da Bundeswehr, as forças armadas alemãs, inclusive em missões no estrangeiro, Michael Krüger tinha no triatlo a sua maior paixão.

Tudo começou com a participação na sua primeira Maratona, realizada em Kiel, a capital do estado alemão de Schleswig-Holstein, onde também vivia, decorria então o ano de 1987. Sendo que, a partir daí, seguiram-se muitas provas de triatlo nas distâncias mais variadas, até que, chegado ao ano de 1997, decidiu participar no seu primeiro IRONMAN Europa, realizado em Roth. Prova em que acabaria por classificar-se diretamente para o IRONMAN Hawai ao terminar com o tempo de 10 horas e 22 minutos.

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A partir daí, foram anos sucessivos, de 1994 a 2012, a garantir a presença à partida para a prova que começa em Kailua-Kona, sempre como membro da equipa “Triathlon Army Team IRONMAN”. Sendo que, ao todo, foram 17 as vezes que terminou e levou para casa a lendária camisola de finisher e respetiva medalha.

Resultado deste feito, Michael Krüger também costumava liderar o tradicional desfile das nações, na terça-feira, antes do início do Campeonato do Mundo, na avenida Alii Drive, em Kailua-Kona. Ao longo da sua vida de atleta, o alemão participou em mais de 50 provas IRONMAN, um pouco por todo o mundo.

«Sê forte, nunca te rendas! Vejo-te na meta!» era o lema de Michael Krüger

De resto, e a demonstrar a sua vontade indómita, que inclusivamente lhe permitiu classificar-se, por três vezes, entre os cinco primeiros no seu grupo etário em Kona, o lema que tinha como seu passava por «Sê forte, nunca te rendas! Vejo-te na meta!».

Uma máxima que, entre muitas outras conquistas, contribuiu para que tenha vencido o IRONMAN Florida por três ocasiões, mas também ter como melhor marca pessoal na distância 8 horas e 52 minutos – tempo feito no IRONMAN Klagenfurt, que então venceu.

No entanto, no ano seguinte a nascerem as suas duas filhas gémeas, 2016, e em que Michael Krüger se preparava para participar no seu 18.º Campeonato do Mundo IRONMAN em Kona, a pior notícia surgiu: em fevereiro de 2016, apercebendo-se de que algo já não estava bem, o alemão recorreu aos médicos queixando-se de falta de forças e perda das capacidades motores, tendo-lhe sido diagnosticado ELA, Esclerose Lateral Amiotrófica, doença degenerativa crónica do sistema nervoso central.

Foto: USC Kiel
Foto: USC Kiel

Uma doença que, conforme também descrevem alguns doentes, é como estar preso dentro do próprio corpo, já que os músculos deixam de responder apesar do cérebro funcionar na perfeição.

O aproximar do fim

Quanto a Michael Krüger, a sua vida mudou radicalmente. Ao fim de apenas um ano, o alemão já não conseguia caminhar ou até mesmo alimentar-se sozinho, dependendo, na maior parte das situações, de ajuda externa.

Em 2017 já não conseguia respirar por si próprio, o que obrigou os médicos a fazer-lhe uma incisão na traqueia de forma a que pudesse continuar a respirar. No entanto, por esta altura, já necessitava de cuidados 24 horas por dia e até mesmo em casa foi necessário reformular a habitação, para que pudesse ter a família a cuidar de si a todo o momento.

Entretanto, quatro anos passados naquela que foi a mais dura prova da sua existência, Michael Krüger, um ícone e uma referência do IRONMAN, passou finalmente a meta… e pôde descansar.