Mario Elson acredita que o Mundo da Corrida não será o mesmo nos próximos meses. «Temos que compreender que nada voltará a ser como antes», defende. Por isso, cada prova que pretende participar no futuro será analisada ao pormenor.

Em relação ao Mario Elson, como viveu a quarentena? Foi mais complicado do que imaginou?
Passei este período de crise em trabalho e teletrabalho, em períodos de 14 dias ininterruptos. Terminava o período de trabalho e, caso tivesse mantido contato direto, sem EPI, com alguém infetado ou suspeito de infeção, tinha que me manter em quarentena dentro de casa, isolado, por um período de 14 dias. Aconteceu uma vez. Foi difícil pelo facto de ter estado duas semanas longe de casa e agora ia estar aquelas duas em casa, mas longe de todos. Terminado esse período, teria que voltar outras duas semanas para o trabalho. Mas o tempo passou, nunca tive sintomas, cumpri toda a quarentena porque o que estava em causa era a saúde de toda a família. A minha preparação enquanto militar, e por já ter passado largos períodos fora de casa, acabou por facilitar a adaptação.

E o que mais sentiu falta?
Senti falta do abraço, de conversar à mesa, dos serões em família. Quando chegamos a casa depois de um período longo fora de casa, queremos estar junto dos nossos. Neste caso, apesar de estar em casa, continuava afastado.

Pessoalmente, a pior notícia que recebeu em termos desportivos foi o cancelamento do Mundial de Skyrunning? Este era o seu principal objetivo do ano?
Recebi a notícia com toda a naturalidade, já estava à espera. Seria com muito prazer que iria estar presente no Mundial de Skyrunning. Mas o cancelamento tinha mesmo que ser e foi remarcado para 2021. No entanto, não era o meu objetivo principal do ano, era um dos objetivos a par de outros, como o Ultra Trail World Tour, onde se inclui a Transgrancanaria, o MIUT, que também foi cancelado, e o UTMB, que ainda não foi cancelado mas o mais certo é que seja.

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O que espera do resto do ano?
Independentemente do que desejo, do que ache correto ou incorreto, não sabemos muito sobre o futuro. Vou avaliando o que se vai passando e, aos poucos, vou-me adaptando. Se der para treinar na serra, irei para a serra; se não der, treino ao pé de casa; se também não for possível, treino dentro de casa. Em relação às provas, o mais certo é que, aos poucos, sejam canceladas. E, mesmo que haja alguma, terei sempre que analisar as condições de realização e se proporciona a participação. Temos que compreender que nada voltará a ser como antes.

E qual a prova que mais ambiciona correr?
As que tenho planeadas, num futuro próximo, são o UTMB, a SkyMasters e o Pisão Extreme. Para o ano, o MIUT, o Campeonato Mundial de Skyrunning, o UTMB e mais outra de Endurance. Mas vamos ver como as coisas correm… Nesta altura, não vale a pena estar com muitos planos. Já as provas que um dia gostaria de fazer são a Western States Endurance Run e a Euforia do Andorra Vallnord Ultra Trail.