Num evento organizado pelo jornal desportivo Marca, Kilian Jornet admitiu que, para ele, «correr no asfalto é aborrecido e lesivo». Recorde-se que, recentemente, o espanhol correu pela primeira vez uma prova de rua (leia aqui).

«A minha profissão é atleta de montanha. Seria a definição mais realista. Atleta por essa parte mais competitiva e montanha porque é o terreno em que me encontro como pessoa. É profissão e paixão ao mesmo tempo», afirmou Kilian Jornet ao MARCA Sport Weekend quando inquirido como justificaria a sua profissão a sua filha.

O espanhol, um dos ídolos do Trail mundial e uma referência no Mundo da Corrida, defendeu ainda que, em provas de resistência, «o mais importante é o trabalho, a genética é uma parte, mas 80% é o treino. Tens de estar motivado. Para mim, sair para correr na natureza é muito fácil porque aprendi a viver nesse ambiente.»

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Jornet revelou que, em 2021, pretende escalar o Himalaia (recorde-se que, em 2017, subiu o Evereste por duas vezes em seis dias) e disse que a sua recente experiência na corrida de rua não é para ter seguimento.

«É um parêntesis, não é que eu queira agora correr no asfalto, não é o meu meio. É interessante mas muito aborrecido e lesivo. Ao correr necessito usar as mãos, se não as uso não é tão interessante.»

O espanhol falou ainda que os vídeos que coloca nas redes sociais (alguns realmente impressionantes e alvo de algumas críticas, que condenam Jornet por mostrar o que faz, já que pode fazer com que outros queiram fazer o mesmo) não são arriscados como muitos acreditam.

«Temos de nos preparar para fazer as coisas, podem impressionar mais ou menos. Ser queres fazer desafios como o Evereste ou subidas rápidas não é treinar numa pista de Atletismo e, no outro dia, decidires subir uma montanha. A maioria das coisas que publico são numa zona de conforto muito alta, mas às vezes há que estar próximo do limite do conforto para evoluirmos, caso contrário não podes fazer alguns desafios. É como um piloto de Fórmula 1 ou MotoGP, ninguém acredita que ele vai fazer aquilo na estrada. Na montanha acontece o mesmo, há que aceitar as consequências que podem existir se cometeres um erro. Portanto, há que aprender, sem saltar passos»

Kilian Jornet também falou das limitações do homem, seja no asfalto, seja no Trail, seja em outra situação qualquer.

«Fisiologicamente, como um animal, não somos os mais destacados. Se colocares Usain Bolt, o ser humano mais rápido do planeta, ao lado de uma vaca, no sprint ganha a vaca. O interessante do ser humano é a criatividade e, na montanha, acredito que está a opção, dentro das limitações fisiológicas, de buscar e fazer coisas criativas.»

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Ídolo de milhares, Jornet defendeu também que a tecnologia não deve matar as limitações do ser humano e por isso acredita que as marcas obtidas pelos atletas devem ser contextualizadas de acordo «com o seu momento», considero no MARCA Sport Weekend.