Atleta e apaixonado pelas ultra-distâncias, João Andrade, da One Hundred, decidiu tornar-se vegetariano. Decisão que, no panorama mundial da corrida e do triatlo, já conta com alguns aderentes, como o mítico Patrick Lange. «Acredito ser o melhor para os animais, para mim e para o planeta», defende João Andrade.

O João Andrade decidiu tornar-se vegetariano. O que o levou a tomar tal decisão?
A minha decisão prende-se com o que acredito ser melhor para os animais, para mim e para o planeta.

Sendo um atleta de ultras, de que forma decidiu colocar em prática essa decisão? De que forma fez, ou está a fazer, esta transição?
Inicialmente decidi, conjuntamente com o meu sócio e treinador, Tiago Aragão, e com o auxílio do meu nutricionista, Tiago Almeida, planear a transição para depois da Badwater. Como a Badwater não aconteceu devido a Covid-19, e entretanto fiz as 100 milhas da One Hundred Douro FKT, fixámos então o dia 14 de setembro para poder fazer as análises e preparar o bloco de treino, assim como o plano alimentar, levando em consideração a dieta vegetariana.

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E, neste momento, que tipo de alimentação está a fazer? Como é a sua dieta alimentar?
Faço entre 8-9 refeições por dia, bem distribuídas e prescritas pelo meu nutricionista, que vão de encontro às necessidades do meu treino diário. Encontro mais dificuldade para implementar o plano quando estou a viajar, por haverem menos opções disponíveis, mas consegue-se sempre arranjar uma solução.

Que efeitos tem notado nos treinos?
Eu comecei a dieta vegetariana há pouco tempo e, para já, não senti nenhuma diferença, nem positiva nem negativa, mas psicologicamente estou mais satisfeito por ter tomado esta decisão.

João Andrade One Hundred

Até ao momento, quais têm sido as principais preocupações? E receios?
A minha principal preocupação será a performance na Arrowhead 135 e Badwater 135, as quais estou a preparar e em que tenho objetivos competitivos. No entanto, e como estou bem acompanhado, acredito que tudo irá correr pelo melhor.

Hoje em dia já existem outros nomes grandes, como por exemplo o do campeão do mundo IRONMAN, Jan Frodeno, que deixaram de comer carne. Na sua opinião, de que forma se pode explicar esta tendência?
Penso que esta tendência está relacionada com uma ética de proteção ambiental e da vida animal. No entanto, existem alguns atletas de ultramaratona de longa distância (+100 milhas) que acreditam também ter melhor performance com este tipo de dieta, o que ainda parece carecer de mais estudo científico. Por outro lado existem também questões relacionadas com a prevenção de vários tipos de doenças pela eliminação do consumo de carne, o que faz parte também das minhas motivações.