João Andrade

Numa altura em que a primeira etapa da One Hundred Fastest Konw Time, que tem lugar no Douro, está prestes a fechar, João Andrade, o mentor da iniciativa, destaca o facto da One Hundred ter alcançado os seus «principais objetivos», dos quais faz parte um feedback «muito bom» da parte dos atletas, fruto do «formato inovador» do desafio. Ainda que, assume em entrevista exclusiva aos Corredores Anónimos, muito mais esteja por vir… e com Portugal como palco.

Começo por perguntar-lhe como está a correr a edição de estreia da One Hundred Fastest Known Time, numa altura em que já decorre o primeiro desafio de 160 km, no Douro.
A edição de estreia da One Hundred com o Douro FKT Challenge está a correr muito bem dado que cumprimos os nossos objetivos principais. Queríamos à partida lançar um desafio de 100 milhas, a distância das futuras provas rainhas da One Hundred, num traçado inesquecível e com introdução das equipas de apoio com carro e que não corresse riscos de cancelamento. Internamente queríamos fazer imensos testes a nível de inovação e tecnologia que na sua maior parte foram propositadamente invisíveis para o público e atletas. O outro objetivo era de começar a comunicar os valores e missão da nossa marca e também o de atrair atletas para um mega desafio deste calibre com pouquíssima antecedência. Queríamos ver como seria essa resposta. Acabamos por atrair vários atletas e alguns muito conhecidos a nível nacional e internacional.

No caso específico da One Hundred Douro EN 222 Fastest Known Time Challenge, o João fixou como tempo de referência 23h15m26s. Marca que, entretanto, já foi melhorada por nomes como o Nuno Rocha ou a Carla André. Quantos atletas já conseguiram melhorar a marca de referência e com que tempos?
Todos os atletas que participaram, com excepção do Arsénio Santos por lesão, bateram a marca inicial. A minha marca teve o objetivo de dar o mote de saída como organizador e empreendedor e não como atleta. Isso deixo para outras provas fora do âmbito One Hundred.

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E qual tem sido o feedback dos atletas, não só quanto à prova no Douro, mas também relativamente à própria competição?
O feedback tem sido mesmo muito bom dado que é um formato inovador em contra-relógio e num tipo de percurso corrível. O facto de termos desenvolvido a plataforma de online live GPS tracking com o modo Ghost fez com que atletas e público pudessem imaginar que os atletas em desafio (Pacman’s) estivessem a competir contra o melhor tempo. O fator de não haver valor de inscrição, a cobertura que foi feita da prova pela One Hundred, os meios de comunicação, a inovação do FKT com registo e plataforma mundial, o grande prémio mais alto já visto em Portugal nas Ultramaratona que inclui viagem, acomodação, despesas, registo na prova, cheque de £100, equipamento oficial One Hundred e acesso à zona VIP das nossas provas de 100 milhas inaugurais do One Hundred World Series no Brasil e Itália 2021 fizeram as delícias de muitos.

Outro aspecto interessante é o ultra-prémio que decidiram oferecer ao detentor do melhor tempo realizado na prova no Douro, até ao próximo dia 22 de setembro. Neste momento, quem é o detentor da melhor marca? Sabe dizer-me se e quais os atletas que manifestaram já a intenção de fazer a prova até à data limite?
A melhor marca neste momento pertence ao Nuno Rocha com o tempo de 16h40, que é para já o vencedor do prémio. O evento termina na terça-feira e temos ainda o Miguel Angelo e o Hugo Gonçalves a participarem, com o arranque esta segunda-feira. O período de inscrições já fechou.

Estes são os melhores tempos da One Hundred Douro FKT 100 Miles
Estes são os melhores tempos da One Hundred Douro FKT 100 Miles

E quando são as inscrições para a One Hundred World Series e as perspectivas?
Relativamente ao campeonato One Hundred World Series iremos abrir inscrições no final do ano mas estamos confiantes em termos bastantes inscritos pelo feedback do Brasil, Estados Unidos e Itália. Mas as inscrições são só uma parte. Na One Hundred iremos começar a falar de broadcast e público a acompanhar os eventos.

Imagino que a pandemia de COVID-19 esteja a ser um obstáculo acrescido. De que forma tem o João notado os efeitos da pandemia na competição?
Não tem sido um obstáculo acrescido, é mais uma questão de estratégia e sair na frente dos outros com formatos inovadores. Uns choram, outros vendem lenços. Nós fazemos parte do segundo grupo.

Face àquilo que têm sido os efeitos do COVID-19 em todos os aspectos das sociedades em geral, acredita que será possível levar a cabo aqueles que eram os objectivos para 2021, no caso da One Hundred, nomeadamente a One Hundred Brazil e One Hundred Italy? Que tipo de adaptações admite poder vir a ter de fazer?
Acreditamos que sim mas não podemos neste momento adiantar muito. Mas, no fundo, as competições serão mais similares do que se possa pensar em relação ao que eram antes. As adaptações podem ser até ser enquadradas positivamente e passarem a ser estímulos novos para atletas e audiência.

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A próxima iniciativa a ter lugar, no âmbito da One Hundred, será um training camp no Monte Etna, em Itália. Há mais novidades?
Existem mais desafios do que o inovador Training Camp no Mount Etna e tudo será revelado antes do final deste mês. Há algo preparado para Portugal e que será de todo especial e inovador.