Numa altura em que a Europa, Portugal incluído, é fustigada pelo surto de coronavírus, a pergunta impõe-se como poucas: será que posso correr no exterior sem o risco de ser contagiado? Esta é a segunda parte da resposta, não só a essa, como a várias outras perguntas relacionadas com o tema.

Correr na rua, com todos os benefícios que daí retiramos versus o perigo de contágio do coronavírus. Mas será que o perigo existe realmente? E de que forma nos podemos proteger? Que alternativas temos?

  • Estou inscrito numa corrida que não foi cancelada. Posso ir?
    Ainda que tenha andado a treinar afincadamente para aquela prova que há muito espera, o melhor mesmo é não ir e respeitar os conselhos da Direcção-Geral de Saúde para se manter mais resguardado e evitar concentrações de pessoas. Pelo menos, até sabermos mais sobre o vírus, os seus risco e capacidade de contágio…
  • A corrida para a qual tenho estado a treinar foi cancelada. No entanto, vai ter lugar um outro evento de grupo, na mesma data. Devo ir?
    O melhor é não ir. Não podemos esquecer que sempre que um grupo de pessoas se junta, mesmo para correr, as hipóteses de contágio sobem consideravelmente. Mais uma vez, importa recordar as recomendações dos organismos nacionais, europeus e mundiais de Saúde, para que, pelo menos por enquanto, mantenhamos alguma distância interpessoal. Assim, o melhor mesmo é que evitemos quaisquer interações com outras pessoas e adotemos todas as medidas básicas que nos garantem protecção: lavar frequentemente as mãos, limitar o contacto direto com outras pessoas e não andar a levar frequentemente as mãos ao rosto. Medidas que, diga-se, protegem-nos não apenas do coronavírus, mas também de outras infecções que continuam a existir, como a gripe…
  • O meu sistema imunitário fica mais debilitado após uma Maratona ou após um treino mais exigente?
    À medida que os níveis de glicogénio diminuem no nosso organismo, também o nosso sistema imunitário começa a funcionar pior. Isto significa que, após uma Maratona ou até mesmo uma Meia-maratona, se formos expostos a alguém que está doente com uma gripe ou com coronavírus, as nossas defesas terão mais dificuldade em reagir. Ao mesmo tempo, stress físico ou mental, em resultado de uma Maratona ou de um exercício físico mais exigente, pode aumentar ligeiramente a possibilidade de adoecer. Isto não significa, contudo, que devamos deixar de correr ou fazer exercício, até porque existe uma relação muito forte entre exercício físico regular e um sistema imunitário forte.
  • O ato de cuspir, quando corremos, também é perigoso?
    De acordo com os especialistas, a propagação do coronavírus através da saliva é possível, até porque, ao cuspir, expelimos não apenas saliva, mas também secreções provenientes dos pulmões e da nasofaringe posterior. O mesmo acontece, de resto, com as secreções saídas do nariz.
  • Quanto tempo sobrevive o COVID-19, por exemplo, nas roupas?
    Os especialistas ainda não conseguiram determinar o nível de contágio a partir de materiais como o tecido. No entanto, a Organização Mundial de Saúde avança que o coronavírus consegue permanecer ativo em superfícies várias durante períodos que podem ir de algumas horas a alguns dias. Assim, e no caso do seu vestuário for atingido, por exemplo, por saliva, evite tocar nessa zona e troque de roupa assim que possível, lavando as mãos em seguida. Para desinfetar a roupa, lave-a em água quente e, se possível, seque-a a temperaturas altas.

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  • Podem os ginásios ser uma alternativa segura para o treino indoor?
    A verdade é que muitos ginásios têm vindo a aplicar medidas extra com vista à prevenção na transmissão do coronavírus, ainda que a grande maioria tenha optado por fechar portas. No entanto, e caso decida continuar a ir ao ginásio, confira atentamente se as medidas de saúde pública aconselhadas pelo Ministério da Saúde foram aplicadas antes de decidir avançar com o treino.

Fonte: Runner’s World