É mais um exemplo de determinação e superação: Billy Monger, um jovem piloto de automobilismo amputado das duas pernas na sequência de um terrível acidente na Fórmula 4, acaba de conseguir terminar, com 21 anos, o seu primeiro triatlo – ao todo, 225 quilómetros a correr, de bicicleta e em kayak de águas abertas.

O momento que mudou a vida de Billy Monger teve lugar em abril de 2017, durante uma corrida de Fórmula 4, no circuito britânico de Donington Park.

Com apenas 17 anos, o jovem piloto, então a disputar a sua segunda temporada na categoria, foi protagonista de um terrível acidente ao realizar uma ultrapassagem sem se aperceber que, imobilizado na pista, estava outro carro. Resultado do violento embate, Monger acabou tendo as pernas amputadas abaixo do joelho.

No entanto, e apesar deste momento que acabou a marcar-lhe a vida, Billy Monger recusou-se a baixar os braços, iniciando um processo de adaptação à sua nova condição. Deu a si mesmo o prazo de um ano para voltar a sentar-se atrás de um volante e voltar a correr.

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Resultado da sua forte determinação, cerca de um ano após o acidente, o jovem britânico voltava às pistas, desta feita aos comandos de um Fórmula 3 adaptado às suas necessidades e para participar numa corrida oficial.

No entanto, e não satisfeito com esta impressionante conquista, Monger, agora com 21 anos, decidiu colocar-se novamente à prova participando no Billy’s Big Red Nose Challenge, prova com uma duração de quatro dias durante os quais os participantes têm de realizar mais de 225 quilómetros a correr, em kayak de águas abertas e de bicicleta, no mundialmente famoso circuito de corridas de Brands Hatch, em Kent. Tudo para ajudar ao Red Nose Day, organização não-lucrativa que tem como propósito acabar com a pobreza infantil.

Questionado ainda antes do desafio sobre o mesmo, Billy Monger revelou que tentava concluir um total de 140 milhas [225 quilómetros] em disciplinas nas quais não tinha experiência. «Não ando de bicicleta desde o meu acidente, há três anos, e nunca andei de caiaque na minha vida. Assim vou ter entrar no ritmo da equipa muito rapidamente, especialmente tendo de cobrir as distâncias que vamos ter de fazer. É uma experiência ousada, mas muito emocionante, que aceitei porque espero arrecadar muito dinheiro para as pessoas que precisam de ajuda. Este é um momento tão difícil para todos e estou muito orgulhoso de poder fazer algo para ajudar».

Aliás, e de forma a preparar-se para este difícil projecto, Billy esteve vários meses a trabalhar com especialistas, experimentando bicicletas e kayaks de forma a garantir as melhores soluções possíveis. Ao mesmo tempo, o britânico também recebeu ajuda e assessoria através de sessões de treino com a campeã do mundo de natação em águas abertas e treinadora da equipa britânica, Hannah Brown, assim como da bicampeã do mundo de paratriatlo, Hannah Moore, e da treinadora de talentos paralímpicos Becky Hewitt. Sem esquecer o apoio dado por aquele que tem sido o treinador de Billy ao longo de toda a sua vida desportiva, Andy Wellfare.

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Falando ainda sobre a decisão de participar nesta aventura, Monger considera que «chega no momento certo, já que a imposição do primeiro confinamento, e saber que devido à Covid-19 não ia poder competir, foi algo que me afetou».

«Até mesmo o meu caminhar acabou afetado, já que não podia sair para andar, tinha de ficar em casa na minha cadeira de rodas sem poder usar as minhas pernas. Engordei muito, não treinava nada, até que, olhando-me ao espelho, tive um momento de autorreflexão em que cheguei à conclusão: “Isto não está bem, este não sou eu. Eu sou melhor do que isto”».