Andrea Mason é uma atleta britânica de triatlo que, já este mês, concluiu um triatlo extremo nos Alpes, com um total de 538 quilómetros. No entanto, e se o seu feito é por si só de elogiar, não é menos importante referir que, há três anos, Mason estava numa cama de hospital a tentar recuperar de uma histerectomia total.

O caso aconteceu em 2017, altura em que Andrea Mason foi obrigada a retirar todo o útero devido a um cancro, incluindo o colo uterino.

No entanto, os problemas de saúde da britânica já vinham de trás, uma vez que Andrea convivia, desde que teve pela primeira vez o período, com uma endometriosis severa, a qual só lhe foi diagnosticada já aos 20 anos.

Apenas três anos após esta notícia, foi-lhe diagnosticado o cancro do colo do útero, que a obrigou a retirar o útero.

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Contudo, foi também na sequência desta operação que Andrea Mason tomou uma decisão: precisava de um desafio louco, um desafio desportivo que não só lhe permitisse alertar as pessoas para este problema, mas também ela própria assimilar aquilo por que passou.

O louco desafio de Andrea Mason

Amante de desporto praticamente desde que nasceu, a britânica, que aos quatro anos conseguiu nadar cinco quilómetros e foi inclusivamente campeã do mundo junior de natação, já terminou um IRONMAN.

Assim, apenas sete semanas após ter feito a histerectomia total, fez a sua primeira corrida pós-operação. Já em 2019, completou um triatlo que incluiu cruzar a nado o Canal da Mancha, 900 km de bicicleta entre as localidades francesas de Calais e Chamonix e uma corrida até Mont Blanc.

Entretanto, na semana passada, com 39 anos de idade, Andrea deu mais um passo na sua recuperação ao nadar os 38 km do perímetro do lago de Annecy, em França, fazer 330 km de bicicleta na região de Mont Blanc, com um desnível acumulado de 9.000 metros, e correr os 170 km do traçado do Ultra-Trail du Mont Blanc, onde acrescentou mais um desnível acumulado de 10.000 metros. E tudo isto num total de 4 dias, 23 horas e 41 minutos!

«Nem sempre fui uma atleta talhada para este tipo de provas de resistência mais loucas, mas a verdade é que atrai-me colocar a mim própria este tipo de desafios, fixar-me grandes metas e alcançar objetivos que muitos crêem ser impossíveis. No entanto, também sentia algo como ansiedade ao enfrentar este Plano B, já que estava a entrar no desconhecido no que à corrida dizia respeito. Isto porque não havia treinado para fazer 170 km em montanha. E muito menos com desnível semelhante», comentou em declarações à BBC.

Dez horas de natação, mais de 24 horas em bicicleta…

Começando pela natação, a britânica, que reside em Blackpool, completou o primeiro segmento em menos de 10 horas, dormiu sete horas e seguiu para o percurso de bicicleta, que realizou em pouco mais de 24 horas, sendo que o mais difícil terá mesmo sido a subida a Mont Blanc, o qual desceu sempre a vomitar, levando-a mesmo a pensar porque estava a fazer o desafio.

Contudo, «propus-me a alertar para o problema da endometriosis […], pelo que tinha de continuar», afirmou Andrea, que acabou fazendo a segunda etapa de estômago vazio, tendo bebido apenas uma infusão de gengibre, que acabou dando-lhe uma «renovada sensação de energia».

No entanto, uma vez transposta a meta, a primeira coisa que fez foi comer 100 nuggets de frango, a recompensa que lhe havia dado alento nos momentos de maior sofrimento. Sendo que, a segunda foi começar a pensar desde já no próximo desafio…

FOTO: Sea to Summit Extreme Instagram