André Pereira, 41 anos e de Ourém, foi o grande vencedor da primeira edição da Portugal 1001 – Real Lendário, prova que percorreu 1001 km do país em 14 dias. 

Foi o primeiro vencedor da Portugal 1001. Era esse o seu objetivo ou a sua ideia era ser um dos pioneiros finalistas da prova?
Embarquei neste projeto através de uma publicação nas redes sociais, na qual construí uma ilusão quase impossível de realizar. Com o passar do tempo alimentei esse sonho, meti mãos à obra e criei bases para tornar esse sonho real.
Fui um dos 15 atletas pioneiros desta prova. Acredito que, como eu, qualquer um dos outros atletas tinha o desejo fixo de conseguir apenas finalizar com sucesso esta epopeia de etapas e chegar a Sagres como finalista. Ser vencedor da Portugal 1001 seria elevar a nossa exigência física e mental a um patamar muito mais alto. Mas felizmente  consegui sair vencedor.

Ficou mais feliz por ser um dos pioneiros ou pelo triunfo em si?
As duas coisas deixam-me muito feliz. Por um lado, é muito motivante e enriquecedor para o ego de qualquer um de nós, pioneiros, passar por toda esta experiência e partilhar e aconselhar outros atletas nas edições futuras; por outro lado, é um enorme triunfo para mim, pois abdiquei de muita coisa, de muito tempo na minha vida pessoal, para poder seguir à risca um plano de treino disciplinado e adequado especificamente para esta prova. 

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Mas quando sentiu que poderia ter ganho a prova? Em que etapa?
No final da 6.ª etapa já vencera cinco delas, com cerca de duas horas e meia de vantagem para o segundo classificado. Mas sabia ter de fazer uma gestão de esforço e baixar o meu ritmo. As dores musculares foram aparecendo e tinha de saber gerir muito bem, pois, se surgisse uma lesão mais grave, poderia colocar tudo a perder. Na 10.ª etapa já contava com 8 vitórias e mais de quatro horas de vantagem, o que me permitiu fazer uma gestão mais cuidada e por fim sair vencedor deste mega desafio.

E a sua atitude mudou a partir de então? Por exemplo, até esse momento, o objetivo era terminar; a partir de então, o objetivo foi vencer?
A atitude de atletas e organização sempre foi muito familiar, sobretudo na  hora das refeições e pós-prova. Em prova sempre mantive a minha postura e regularidade: ouvir o meu corpo e baixar o ritmo quando necessário. Lógico que, após ter vencido cinco etapas, já com um certo conforto em relação ao grupo perseguidor, alimentei a possibilidade de vencer a prova, o que me motivou imenso, mas sem nunca entrar em excessos.

A Portugal 1001 foi seu principal desafio até ao momento?
Sim, sem dúvida, foi o maior desafio que fiz até agora, aquele que mais receio me trouxe, mas também o mais desafiante. O facto de fazer cerca de 70 quilómetros num dia e depois ter de recuperar fisicamente o melhor possível para no dia seguinte fazer novamente mais cerca de 70 quilómetros, isto durante 14 dias consecutivos, é qualquer coisa de surreal.

Além de André Pereira, Isabel Moleiro também venceu a Portugal 1001
Além de André Pereira, Isabel Moleiro também venceu a Portugal 1001

E o atletas André Pereira gosta de provas por etapas como a Portugal 1001?
Foi a primeira prova que realizei por etapas, mas gostei, pois permite ao atleta restabelecer energia e o desgaste físico a que é sujeito. Em provas de dimensão inferior até 300 km, por exemplo, prefiro o modelo “non-stop”.O que poderia falar sobre a Portugal 1001 em si?
A Portugal1001 é muito mais que uma prova de competição, é uma família. Tens o prazer de correr ao lado de todos os participantes, sejam eles mais ou menos rápidos. Permite conviver e confraternizar com todos eles. E depois o atleta tem o prazer de enriquecer a sua cultura por onde passa, cruzando-se com a história dos nossos antepassados, monumentos e pelas várias culturas distintas existentes de Norte a Sul do país.

FOTOS: Facebook