O nome da Maratona de Berlim era o etíope Kenenisa Bekele mas o nome da Maratona de Berlim foi o compatriota Guye Adola, que venceu a prova sem recorde do mundo, que continua na posse de Eliud Kipchoge.

Com 2h01m41 em 2019 (o segundo tempo mais rápido de sempre), ou seja, apenas dois segundos a menos que o registo mundial de Kipchoge, Kenenisa Bekele procurava alcançar mais uma vez a glória no seu currículo, desta vez na Maratona, após o surpreendente resultado alcançado há dois anos.

Na sua quarta participação na prova (vitória em 2016, com 2h03m03, e 2019; desistência em 2017), Kenenisa Bekele, que corria novamente uma Maratona após dois anos parado (foi precisamente há dois anos em Berlim que o etíope correu os seus últimos 42,195 km), tinha como objetivo, além do recorde do mundo, igualar o número de triunfos de Kipchoge (2015, 2017 e 2018, ano do recorde do mundo, com 2h01m39) em Berlim e ficar a uma vitória da lenda etíope Haile Gebrselassie (2006, 2007, 2008 e 2009), que, nas ruas alemãs, alcançou o registo mundial em 2007 e 2008 com os tempos de 2h04m26 e 2h03m59, respetivamente. 

As condições da Maratona de Berlim 2021
As condições da Maratona de Berlim 2021

O destino de Bekele começou a ser escrito no 15.º quilómetro, quando o etíope, de forma surpreendente, abrandou e ficou atrás do grupo da frente, constituído por 7 atletas (entre eles algumas lebres). Aos 21 km, a prova era liderada pelo também etíope Guye Adola, que cruzou a Meia com 1h00m48, menos 12 segundos que Bekele e menos três segundos que o registo mundial de Eliud Kipchoge. No entanto, aos 25 km, essa vantagem foi desfeita de vez, já que Adola apresentou um tempo superior a 36 segundos do registo alcançado por Kipchoge em 2018.

Os tempos da Maratona de Berlim 2021 na Meia
Os tempos da Maratona de Berlim 2021 na Meia

Foi precisamente no km 25 que Bekele ressurgiu e alcançou o grupo da frente, que ficou restrito a quatro atletas, já sem as lebres. Como um imperador, Kenenisa exigiu pouco depois que os seus companheiros assumissem a corrida e o acompanhassem, já que, definitivamente, todos pareciam exaustos após uma Meia realmente extenuante. Com a ordem, os três companheiros do pelotão da frente ganharam novo fôlego e a prova voltou a ter um ritmo forte.

Bekele a exigir comprometimento dos seus companheiros de corrida na Maratona de Berlim 2021, entre eles Adola
Bekele a exigir comprometimento dos seus companheiros de corrida na Maratona de Berlim 2021, entre eles Adola

Próximo dos 30 km, o grupo da frente ficou reduzido a três, com o queniano Abraham Kipyatich a não aguentar o ritmo, que apresentava 1m19 a mais do que o tempo de Kipchoge em 2018. Aos 35 km aconteceu outra das surpresas da corrida. Bethwel Yegon surgiu de forma inesperada e ultrapassou Bekele e Adola aos 36 e 38 km, respetivamente, assumindo a liderança da prova. O queniano, que tinha como melhor tempo pessoal 2h08m18 em Siena 2019 e recuperou de uma desvantagem de 1m26 (1h02m14) na Meia, encontrou de forma inesperada forças para lutar pela vitória. Todavia, Adola conseguiu recuperar no km 40 e reassumiu a liderança da corrida com 1h59m08.

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No final, Adola, que foi segundo em 2017, acabou por vencer a Maratona de Berlim 2021 com o tempo de 2h05m45 (60m48/64m57, o tempo mais lento da prova desde 2009). Atrás ficaram Yegon, com 2h06m14, e Bekele, com 2h06m47. Com estes tempos, recorde-se que o melhor tempo da Maratona este ano continua na posse de Titus Ekiru, com 2h02m57, tempo alcançado em Milão.

Adola foi o terceiro etíope a vencer a Maratona de Berlim. Nas últimas 22 edições, tivemos 15 vitórias do Quénia e 7 da Etiópia.

Na prova feminina, a prova foi dominada por completo pela Etiópia. A vencedora foi Gotytom Gebreslase, com 2h20m09, que atacou no km 35 e nunca mais foi apanhada. Já a grande favorita, Hiwot Gebrekidan, registou 2h21m23. Na terceira posição tivemos Helen Tola, com 2h23m05.

De notar que a vencedora da edição de 2021 fez a sua estreina na Maratona, o que aumenta o seu feito. Na Meia, o seu melhor resultado é de 1h07m52 (1h09m19 hoje em Berlim).

Primeira Maratona, primeira vitória para  Gotytom Gebreslase
Primeira Maratona, primeira vitória para Gotytom Gebreslase

Por último, refira-se que, na próxima semana, a 3 de outubro, teremos a Maratona de Londres. Depois, as Majors continuam com Chicago (10 de outubro), Boston (11 de outubro) e Nova Iorque (7 de novembro), num calendário realmente louco para os amantes da corrida, em particular da Maratona.