Depois da polémica despoletada com as revolucionárias sapatilhas da Nike utilizadas por Eliud Kipchoge no desafio Sub-2h00, eis que a World Athletics regressa ao tema, desta feita para esclarecer, de forma definitiva, os tipos de sapatilhas que os atletas vão poder usar já nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio. Desde já e fora da legalidade estão as famosas Alphafly e Vaporfly.

Pressionada pela polémica, a World Athletics viu-se obrigada a regressar ao tema das sapatilhas autorizadas nas competições realizadas sob a sua égide, o que obrigou a rever o seu regulamento relativo a este tipo de equipamento desportivo.

LEIA TAMBÉM
World Athletics limita utilização das novas sapatilhas

Segundo explica o CEO da World Athletics, Jon Ridgeon, neste momento, e graças também ao tempo ganho com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio durante o qual foi possível consultar todas as partes interessadas, «passámos a ter um conhecimento maior da tecnologia que já existe no mercado e onde devemos colocar a linha delimitadora de forma a manter o status quo até depois dos Jogos Olímpicos (…) Ao desenvolver estas regras tivemos em conta os princípios do jogo limpo, a universalidade, mas também a saúde e a segurança dos atletas, sem deixar de refletir aquele que é o atual mercado do calçado».

Numa altura em que no horizonte estão os próximos Jogos, agendados para Tóquio (23 de julho a 8 de agosto de 2021), a World Athletics reuniu o Conselho Mundial de Atletismo e, consumado o debate e as decisões, anunciou uma série de alterações aos regulamentos relativos às sapatilhas, a começar por aspetos como a altura da sola sapatilhas de pista (com picos), proibindo mesmo a utilização de sapatilhas com mais de 25 milímetros de altura em provas de mais 800 metros.

Resultado desta decisão, a entidade mundial para o Atletismo torna ilegal a utilização das também conhecidas como sapatilhas mágicas Nike Vaporfly e Alphafly já nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo contrário, e no que diz respeito às sapatilhas de estrada, mantém-se a altura máxima permitida na sola de 40 milímetros.

As famosas Nike Vaporfly

Resultado igualmente da aprovação de uma nova regulamentação, a World Athletics divulgou quais as sapatilhas já aprovadas até ao momento, ao mesmo tempo que obriga atletas, representantes de atletas e fornecedores do material desportivo utilizado pelos atletas a fornecerem à entidade todas as especificações relacionadas com o calçado utilizado. Sendo que, no caso de se tratar de um novo tipo de calçado, este deve ser fornecido, antes de mais, à World Athletics para que este possa ser analisado por especialistas independentes.

A entidade estipula ainda que todas as sapatilhas aprovadas deverão ficar disponíveis antes da competição internacional seguinte para distribuição a todo e qualquer atleta de Elite que o deseje, sendo que o fabricante fica obrigado a fornecer as suas sapatilhas, seja de forma gratuita ou paga, independentemente do atleta em questão ser ou não por si patrocinado. Único aspeto diferenciador: o facto do atleta estar qualificado ou não para as World Series ou para os Jogos Olímpicos.

Os fabricantes ficam ainda obrigados a fornecer dados sobre a disponibilidade de calçado para outros atletas de Elite que não sejam por si patrocinados, mas que, ainda assim, precisam de sapatilhas para poderem participar na competição.

LEIA TAMBÉM
Sapatilhas de corrida: os segredos para não errar na hora de comprar

Finalmente, e quanto à questão da altura máxima permitida nas solas das sapatilhas utilizadas em competições da World Athletics, estes são os novos valores:

  • Saltos e lançamentos (excepto triplo salto): 20 mm máximo
  • Triplo salto: 25 mm
  • Velocidade e barreiras: 20 mm
  • Meio-fundo e fundo (distâncias acima de 800 metros): 25 mm
  • Cross: 25 mm
  • Provas de estrada e marcha: 40 mm
  • Provas de montanha e trail: sem limites

«Estas regras, de transição, dão-nos mais tempo para desenvolver um conjunto de normas de trabalho a longo prazo para introdução depois dos Jogos Olímpicos do próximo ano, procurando desta maneira alcançar o melhor equilíbrio entre inovação, vantagem competitiva e universalidade», conclui o CEO da World Athletics.