Pela primeira vez na história, Portugal terá uma equipa no Mundial 24 Horas, competição realizada desde 2004, sendo agora disputada de dois em dois anos. No total, quatro atletas, entre eles João Oliveira, capitão da seleção nacional. Um dos principais nomes da ultradistância a nível mundial, o português revela as dificuldades que viveu para colocar Portugal na linha de partida, no sábado.

«Em 2017 tentei participar no Mundial, que foi realizado na Irlanda. No entanto, a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) tornou impossível essa presença por não reconhecer a modalidade. Como tal, passou o assunto para a Associação Trail Running Portugal, que, entretanto, disse que o Mundial, por não ser Trail, não era da sua alçada, passando a bola para a federação. O tempo passou e as inscrições fecharam. Resumindo, fiquei a ver o Mundial pela internet», recorda João Oliveira, um dia antes da estreia de Portugal no Mundial 24 Horas, que tem a sua partida marcada para às 10h00 de sábado, em Albi, França.

O cartaz do Mundial 24 HOras
O cartaz do Mundial 24 HOras

«Nestes dois últimos anos realizei um árduo trabalho para me relacionar com os responsáveis do comité da International Association of Ultrarunners, ao mesmo tempo que coloquei a par da situação o presidente da Associação de Atletismo de Vila Real. Procurei ainda demonstrar a FPA que Portugal tem bons atletas em Ultradistâncias, com mínimos garantidos, para assim reconhecerem a modalidade. Não foi fácil, mas felizmente todo o esforço compensou

Um esforço que acabou por fazer com que Portugal esteja presente no seu primeiro Mundial, com João Oliveira a ser “convocado” pela federação e nomeado responsável pela equipa, muito devido ao seu invejável histórico de resultados em Ultramaratonas. «Fui nomeado capitão! A equipa assim decidiu devido a ser o mais experiente.»

Os planos do capitão João Oliveira para o Mundial 24 Horas

Para o Mundial, João Oliveira revela que o plano da seleção nacional pode ser dividido em três:

«O plano está dividido em 3 partes, de forma crescente. O Plano C é todos darem o máximo que conseguirem. As outras equipas podem ser boas, mas em nenhum momento podemos facilitar a vida dos nossos rivais. O Plano B é estarmos no Top 10, tendo como objetivo a execução do Plano A, que é terminar entre as 5 melhores equipas

O percurso do Mundial 24 Horas
O percurso do Mundial 24 Horas

Um Plano A ambicioso? Talvez, mas o capitão da seleção nacional acredita muito na equipa portuguesa, principalmente por um motivo.

«A pontuação individual é a menos importante no Mundial. A rivalidade real do evento é a competição entre as equipas, com a classificação geral a ser decidida pela soma dos quilómetros corridos dos 3 melhores atletas. O importante é que a equipa alcance, no mínimo, 750 km. Acreditamos que assim poderemos assegurar um lugar no Top 5. O nosso objetivo é esse.»

Além de João Oliveira, a seleção nacional é composta por outro atleta do Chaves Running TEAM, Daniel Dias. Os restantes dois são Vítor Rodrigues, do Sport Clube do Vitória, e Luís Gil, do Desportivo do Estreito, da Madeira.

São estes os quatro nomes que procurarão mostrar no sábado que Portugal tem grandes nomes na Ultradistância. Mas os quatro procuram acima de tudo que a modalidade em si seja reconhecida por todos, principalmente no nosso país.

«Somos os primeiros e esperamos que, a partir daqui, tenhamos grandes mudanças na modalidade. A nossa participação fará história na mudança do reconhecimento das grandes distâncias no Atletismo NAcional.»

Um desejo que João Oliveira já havia demonstrado em 2017, quando fundou o Chaves Running TEAM, onde podemos ler, nos seus estatutos, o objetivo de obter o reconhecimento e a prática da modalidade nas distâncias de Ultramaratonas no Atletismo. «Prometi e aqui está o início do projeto traçado», refere o capitão da seleção nacional.

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No Mundial 24 Horas de França estão presentes cerca de 45 países e 350 atletas, uma demonstração clara da popularidade da modalidade um pouco por todo o mundo.

Sobre a ainda pequena participação de Portugal em relação ao número de atletas (no Mundial há seleções com 6 participantes e algumas inclusive com mais, como os Estados Unidos e Austrália, por exemplo), João Oliveira não se intimida com essa desvantagem: «Apesar de sermos tão poucos, não os tememos».

Palavra de capitão

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