Considerada uma das melhores maratonistas mundiais de sempre, a queniana Tegla Loroupe tomou recentemente posição pública sobre um dos temas mais controversos no Atletismo atual: as sapatilhas com placas em fibra de carbono. Solução que, na perspetiva de Loroupe, deve ser encarada da mesma forma que «o doping».

Recordista mundial da Maratona por duas vezes – em Roterdão 1998, com o tempo de 2h20m47, e em Berlim 1999, com 2h20m43 -, Tegla Loroupe assume-se como uma opositora frontal desta nova tecnologia que começa a ganhar espaço entre as marcas de material desportivo, considerando mesmo que, ao recorrerem a esta solução, os atletas estão «a fazer batota».

«Não gosto [das sapatilhas com placa em fibra de carbono] porque não existe energia humana. É o mesmo que estar a fazer batota, não estamos a ser verdadeiros heróis, uma vez que não se trata apenas de usar a nossa própria força», comenta a queniana Tegla Loroupe, que venceu, por duas vezes, a Maratona de Nova Iorque.

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De resto, e ainda sobre o mesmo tema, Tegla Loroupe defende que «ter umas sapatilhas com fibra de carbono que nos faz mais rápidos, só significa que conseguimos comprá-las, ao passo que outros não podem». Assim, «para mim, é quase como doping, não acho que haja diferença entre doping e ter sapatilhas mais rápidas».

Tegla Loroupe continua sendo uma das melhores maratonistas femininas na história do Atletismo, contabilizando um número de vitórias de que poucas atletas se podem orgulhar: venceu a Maratona de Nova Iorque em 1994 e 1995 (em 1998 foi terceira), Roterdão em 1997, 1998 e 1999, Berlim em 1999, Roma em 2000, Londres em 2000, Lausanne em 2002, Colónia em 2003 e Leipzig em 2004, tendo subido igualmente ao pódio em Boston, Osaka, Veneza, Las Vegas e Copenhaga.

A par destes triunfos, a queniana venceu, ainda e por três vezes, o Mundial de Meia-maratona (1997, 1998 e 1999), além de ter conquistado duas medalhas de bronze nos 10.000 metros dos Mundiais de Gotemburgo 1995 e Sevilha 1999.

em termos olímpicos, Tegla Loroupe registou como melhores resultados um quinto lugar nos 10.000 metros em Sydney 2000 e um sexto lugar, também nos 10.000 metros, em Atlanta 1996.

Entretanto, desde 2006 que Loroupe é embaixadora das Nações Unidas, sendo que, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, foi a responsável pela comitiva dos atletas refugiados.