Norte-americano, residente no estado da Flórida, Chris Nikic, 20 anos, prepara-se para fazer história no IRONMAN. Não, não será pelos tempos ou até mesmo pela classificação final, mas, por competir no IRONMAN Florida, já no próximo dia 7 de novembro, Chris tornar-se-á no primeiro atleta com síndrome de Down a participar num IRONMAN.

Apaixonado pela natação, mas também pela sensação de, quando corre, cortar a linha de meta para abraçar os seus pais, Chris Nikic começou a fazer triatlo com 16 anos. Opção que rapidamente começou a mostrar benefícios, com Nikic a revelar, igualmente, melhorias ao nível do seu rendimento intelectual – tarefas que até aí levava dois ou três dias a concluir passou a fazê-las em apenas um.

«Passei de poder fazer nada a correr um triatlo de distância olímpica», recorda o jovem norte-americano, que, até hoje, já completou um total de sete triatlos, um dos quais de distância olímpica.

De resto, é caso para salientar que só mesmo um problema médico o fez parar: há cerca de três anos, teve de ser operado a um problema nos ouvidos que o obrigou a ficar afastado durante cerca de dois anos da natação. Limitou-se então a não fazer mais do que correr pouco mais de 100 metros, sendo que também lhe custava muito andar de bicicleta.

Entretanto, há cerca de um ano, pôde finalmente voltar a nadar, sendo que, neste momento, tem já definido o seu próximo objectivo: terminar o IRONMAN Flórida, agendado já para o próximo dia 7 de novembro.

«Ter síndrome de Down significa trabalhar de forma mais árdua»

«Ter síndrome de Down significa que tenho de trabalhar de forma mais árdua que todos os demais», afirma Nikic, recordando que «aprendi a trabalhar mais arduamente na minha vida e isso tem ajudado a preparar-me para o IRONMAN».

De resto, Chris tem vindo a aproveitar o treino para a prova como uma forma de ser cada vez mais independente.

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Todos os dias, depois do colégio, Chris Nikic segue para o ginásio e treina durante, pelo menos, três horas, sem se queixar, sem pedir para descansar, complementando as suas aulas de spinning e natação com lições de zumba, yoga e basquetebol, de forma a habituar o corpo a movimentos distintos, ao mesmo que procura centrar-se em vários objetivos diferentes.

Assim que chega a casa e com o treino já feito, a primeira pergunta que faz à mãe é: «O que é o jantar?»

«A alimentação é essencial», defende Chris, acrescentando que, «quando te esforças ao máximo, é ainda mais importante».

Chris Nikic e o seu treinador, Daniel Grieb

Ainda assim, do seu programa de treinos de seis dias por semana, também faz parte um dia livre, em que pode comer aquilo que mais gosta: ovos com bacon. E que é, também, a sua comida favorita para a corrida.

Aliás, o próprio Chris vê benefícios em treinar seis vezes por semana, já que, assume, adora comer.

«Chris compete não para ganhar, mas para inspirar outros como ele»

Quanto ao seu treinador, Daniel Grieb, diz ser uma alegria ver Chris a treinar sem nunca se queixar. Mesmo que «Chris não compita para ganhar, mas sim para inspirar outros como ele», afirma o técnico.

Segundo Grieb, desde que faz triatlo, o jovem tem vindo a aprender também e de forma subconsciente a tornar-se cada vez mais independente, progredindo de forma cada vez mais rápida, ao mesmo tempo que vê a sua autoconfiança crescer. Isto ao mesmo tempo que se torna não só melhor atleta, como também melhor pessoa.

Entretanto, e já no próximo dia 7 de novembro, Chris promete estar à partida para o IRONMAN Panamá City Beach, na Flórida, evento que é também considerado um dos mais duros no triatlo. Sendo que, caso a consiga terminar, o jovem passará a ser também o primeiro atleta com síndrome de Down, a consegui-lo.

Entretanto e como preparação, Chris deveria ter participado num meio IRONMAN, em maio, também em Panamá City Beach, mas que acabou sendo adiado devido à pandemia de COVID-19.

Facto que, ainda assim, não impediu o jovem de continuar a preparar-se e a evoluir para chegar a este último fim-de-semana com mais uma etapa na sua preparação cumprida: quase 100 quilómetros de bicicleta, antecedidos de uma corrida de oito quilómetros logo às primeiras horas da madrugada, mais outra, depois do percurso de bicicleta, de 24 quilómetros.

Com este volume de treinos, Chris Nikic acredita estar preparado para enfrentar o seu grande desafio, mesmo que ainda lhe faltem mais algumas semanas de treino duro. No entanto, e se depender exclusivamente do jovem e determinado atleta, este já só pára após passar a meta daquele que será o seu primeiro IRONMAN