Popularmente considerado um dos melhores exercícios para fortalecer o core, a prancha pode não beneficiar tanto quanto somos levados a crer. Existem estudos que defendem inclusive que manter a prancha por mais de 10 segundos é um esforço não só inútil, como prejudicial para a saúde.

A teoria é defendida, por exemplo, por Stuart McGill, professor emérito de biometria da coluna vertebral na Universidade de Waterloo, Canadá. Segundo o especialista, os fanáticos pos este exercício (e são milhões…) conseguirão melhores resultados se, em vez de fazerem durante muito tempo, optarem por realizarem a prancha por períodos curtos de tempo e de forma mais frequente.

Segundo Stuart McGill, a realização da prancha não deve exceder os 10 segundos, sendo que os atletas que fazem este exercício por longos períodos de tempo não estão a alcançar os melhores resultados, defende o especialista. Algo realmente impressionante e inacreditável, ainda mais quando fazemos apostas com os nossos amigos de quanto tempo conseguimos aguentar em prancha (o nosso recorde aqui é 3m37, prancha frontal).

«Não existe qualquer utilidade em fazer este exercício durante o máximo de tempo que consigamos suportar», afirmou há tempos McGill ao The Telegraph, defendendo que «a forma mais eficaz de conseguir bons resultados com a prancha é fazendo-a por períodos vários de não mais do que 10 segundos».

Já as pessoas que procuram, por exemplo, um melhor core, devem «optar por fazer o Big 3 todos os dias» em vez de estar horas e horas em prancha, como conseguiu George Hood, que esteve um pouco mais de 5 partidas de futebol, concretamente 8h15 (leia aqui).

O Big 3 ao invés da prancha

O Big 3 é um conjunto de exercícios dos quais faz parte o exercitar dos abdominais, a prancha lateral e a chamada posição Bird Dog, a qual passa por começarmos com mãos e joelhos no chão, esticando em seguida, e de forma alternada, braço esquerdo e perna direita. E vice-versa (veja aqui).

Estes exercícios visam assegurar o reforço dos músculos em redor da coluna vertebral.

«As minhas conclusões resultam dos muitos estudos já realizados e não apenas de um só», afiança o professor emérito da Universidade de Waterloo, acrescentando que, no caso do Big 3, o aconselhável é começar por fazer apenas cinco repetições.

Um investigador de renome

Stuart McGill manteve-se, durante 30 anos, como professor de biometria da coluna vertebral na Universidade de Waerloo, período em que o seu laboratório deu apoio a atletas olímpicos ou profissionais de todo o mundo que lutavam contra as dores de costas.

O professor também alertou sempre que a coluna vertebral é mais vulnerável durante a manhã, razão pela qual é preciso um cuidado particular quando começamos com exercícios de costas.

«Os nossos discos são hidrofílicos, o que significa que eles adoram água, sorvem fluídos, o que faz com que, quando vamos para a cama, à noite, estejamos efetivamente mais baixos que de manhã. Tal como também é mais difícil calçar as meias de manhã, quando os nossos discos estão mais inflamados não gostam tanto de se dobrar. E, normalmente, até estão com três vezes mais stresse que durante o dia», explica Stuart McGill.

«Quando forçamos a coluna vertebral pela manhã, temos um maior risco de fratura em relação ao longo do dia. Razão pela qual aconselhamos as pessoas a não começarem o dia fazendo exercícios em que se dobram muito ou procuram levar os tornozelos ao peito ou ainda fazem abdominais assim que se levantam da cama», afirmou ao The Telegraph.

«Na verdade, o recomendável é que acordem, deixem passar uma hora, façam uma caminhada e deixem a gravidade espremer alguns dos líquidos que estão nos discos da coluna», conclui.

Recorde-se que as dores nas costas são uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. Todos os anos, cerca de um milhão de pessoas, apenas no Reino Unido, são forçadas a abandonar a sua vida produtiva devido a este problema.

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