Mary Cain EUA

Outrora considerada uma das maiores promessas do atletismo dos EUA, a meio-fundista Mary Cain vive hoje muito longe do estrelato que desejou. Dizendo-se vítima não apenas do outrora respeitado treinador Alberto Salazar, como da própria marca por detrás do Oregon Project, a Nike.

Hoje em dia com 23 anos, Mary Cain viu as luzes da ribalta começarem a virar-se para si com apenas 16 anos. Idade com que começou a coleccionar, ainda como juvenil, recordes nas pistas, tornando-se mesmo a atleta mais rápida dos Estados Unidos da América no seu escalão.

Apontada já então como um fenómeno do meio-fundo, Mary acabou despertando a atenção do treinador Alberto Salazar, principal responsável pelo Projecto Oregon, o programa de excelência patrocinado pela marca de material desportiva Nike com vista à conquista das melhores marcas mundiais no Atletismo.

O desejo de ser a melhor do mundo

Para Mary Cain, o convite, vindo do treinador responsável pelos feitos de Mo Farah, quatro vezes campeão olímpico e seis vezes campeão do mundo nos 5.000 e 10.000 metros, surgiu como um sonho tornado realidade.

«Aceitei porque queria ser a melhor atleta do mundo. No entanto, e ao invés disso, acabei recebendo abusos físicos e psicológicos, de um sistema desenhado para destruir o físico das raparigas», recorda, num depoimento ao New York Times, a meio-fundista.

O sonho de Mary Cain que virou pesadelo

Apesar das promessas de um futuro radiante, a verdade é que Mary Cain acabou por abandonar o Projecto Oregon em 2015 depois daquela que foi, em termos de resultados, a pior temporada da sua carreira.

Considerada, ainda juvenil, um prodígio, Mary Cain chegou mesmo a bater o recorde mundial dos 800 metros, na sua categoria
Considerada, ainda juvenil, um prodígio, Mary Cain chegou mesmo a bater o recorde mundial dos 800 metros, na sua categoria

Na altura, as razões oficiais para o fim do sonho daquela que havia sido uma das maiores promessas do Atletismo dos EUA foi uma suposta incapacidade para aguentar as exigências do treino de Salazar.

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Entretanto, quatro anos depois deste abandono e apenas algumas semanas após a Nike ter decidido encerrar o Projecto Oregon, devido à suspensão aplicada pela IAAF ao treinador Alberto Salazar, acusado de “incitação ao doping”, Mary Cain, antiga promessa do atletismo, surge agora disposta a contar a sua versão da história que a levou a abdicar do sonho. E que, ao invés de torná-la a melhor atleta do mundo, acabou colocando a sua vida em risco….