Mary Cain corrida

Vítima de um projecto liderado pelo outrora respeitado treinador Alberto Salazar e patrocinado pela multinacional Nike, o qual procurava alcançar a excelência no Atletismo, a meio-fundista norte-americana Mary Cain veio agora a público contar a sua história, marcada por abusos físicos e psicológicos. Com o desejo de que as coisas mudem…

Considerada, aos 16 anos, uma das maiores promessas do Atletismo juvenil norte-americano, fruto também da conquista de vários recordes nacionais e até mundiais no seu escalão em distâncias como os 800, 1.500 e 5.000 metros, Mary Cain acabou caindo no abismo com o ingresso no programa de Atletismo Projecto Oregon – projecto liderado pelo treinador naturalizado norte-americano Alberto Salazar e patrocinado pela marca de equipamento desportivo Nike.

Devido às exigências de perda de peso impostas pelo então principal treinador da Nike, Mary Cain terá sido alvo de abusos físicos e psicológicos, que terão não só  prejudicado gravemente o seu organismo, como levado a atleta a um estado de quase depressão, fazendo mesmo com que se auto-mutilasse.

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«Esse foi o golpe na cabeça que fez com que eu percebesse o sistema doentio em que eu estava metida», recorda Mary ao New York Times, recordando que «estava decidida a sobreviver, pelo que tive de tomar essa triste decisão».

O abandono de Mary Cain do Projecto Oregon

A decisão de que a atleta fala foi, naturalmente, abandonar o Projecto Oregon e regressar ao seio da sua família, em Nova Iorque.

Apesar da Nike ter anunciado o fim do programa, na sequência da suspensão de Salazar pela IAAF devido às suspeitas de incitação ao doping, a empresa norte-americana poderá reativar o mesmo, ainda que com outro nome, embora com os mesmos treinadores que, anteriormente, acompanharam o treinador cubano naturalizado norte-americano.

Outrora apontada como uma das maiores promessas do atletismo norte-americano, Mary Cain pretende voltar às pistas, em princípio, já no próximo ano
Outrora apontada como uma das maiores promessas do atletismo norte-americano, Mary Cain pretende voltar às pistas, em princípio, já no próximo ano

«São precisas mais mulheres em cargos de liderança», defende a atleta, acrescentando, nas declarações ao New York Times, que «pergunto-me muitas vezes o que teria acontecido comigo caso tivesse existido no programa uma psicóloga, uma nutricionista ou até mesmo uma mulher treinadora».

O apelo de Mary Cain à Nike

Assim, Mary Cain alerta os responsáveis da Nike para que façam alterações no programa de apoio ao Atletismo e que, em vez de expor as jovens atletas a este tipo de perigos, as proteja.

Uma posição que já mereceu uma resposta da Nike, que, através de um comunicado, revelou vai investigar «muito a sério» as acusações da jovem atleta.

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«Sempre procuramos na Nike situar o atleta no centro de tudo o que fazemos e estas acusações são completamente contrárias aos nossos valores.»

Quanto à própria, garante que não desistiu do sonho, dando apenas por encerrado esse mau capítulo que viveu, com a certeza de que vai voltar às pistas. Em princípio, já em 2020.